Omissão de Nunes Marques diante da falta de ônibus revolta colegas do STF
Alertado sobre dificuldades para votar, presidente do TSE demorou a agir; reação de Zanin veio quando urnas já estavam fechadas
25/10/2026 19:31

É uma vergonha que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, informado desde cedo sobre as dificuldades de eleitores para chegar às urnas neste domingo (25/10), tenha deixado a situação se arrastar sem uma decisão capaz de enfrentar o problema a tempo.
A coluna apurou que o ministro recebeu ainda cedo o alerta e o pedido da coligação do PT diante das denúncias de redução da frota de ônibus. A demora provocou revolta inclusive entre colegas de toga de Nunes Marques no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em Salvador, a Justiça Eleitoral determinou o restabelecimento integral da frota. Em São Paulo, a campanha de Lula denunciou o funcionamento de apenas 60% dos ônibus previstos, apesar da ordem judicial para circulação integral. O prefeito Ricardo Nunes negou redução e afirmou que o serviço atendia à demanda.
Nunes Marques pediu informações para avaliar a situação. Mas, numa eleição, o relógio não espera. Cada hora sem transporte pode significar um eleitor a menos em condições de exercer seu direito. A ausência de uma resposta efetiva permitiu que a confusão atravessasse o dia.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesQuando Cristiano Zanin determinou a prorrogação da votação até as 19h, o horário regular de encerramento já havia passado. A medida acabou limitada às seções cujas urnas permaneciam abertas. As que já tinham sido encerradas não poderiam ser reabertas. A reação chegou tarde demais para eleitores que dependiam dessas seções.
O episódio expõe um quadro vergonhoso de deterioração institucional. Quem depende de ônibus não pode ter menos direito ao voto do que quem dispõe de carro e motorista. Para muitos brasileiros, a urna é o principal instrumento para se fazer ouvir pelo poder político.
Garantir que essas pessoas cheguem à seção eleitoral é uma obrigação básica da democracia. Deixar o dia passar sem uma solução à altura da urgência é falhar justamente com quem mais precisa dessa garantia.

