OAB mira definir regras para IA jurídica com intermediação de escritórios
Modelo de contratação da Enter, questionado em ação civil ajuizada por seccional paulista, pode ser vedado por resolução

No último dia 13, a OAB Nacional caminhou para fixar parâmetros de conduta para empresas de inteligência artificial jurídica, vedando a intermediação de clientela e a participação em honorários por empresas que oferecem a tecnologia. A questão está no centro da ação civil pública que a OAB de São Paulo ajuizou contra a Enter, startup de IA que atua para o contencioso jurídico. A seccional quer saber se a companhia, além de oferecer tecnologia, atua na contratação dos escritórios que assinam as peças para seus clientes.
O debate, que ocupa o Conselho Federal há mais de dois anos, se refere aos limites para empresas que vendem ferramentas de tecnologia e evoluem para a venda do próprio serviço de advocacia.
No caso da Enter, a empresa nasceu em 2023 como ferramenta de apoio, um software licenciado a empresas e usado pelo advogado. Mas, segundo a ACP, desde agosto de 2025, com o lançamento do EnterOS, a companhia passou a oferecer a gestão dos processos “de ponta a ponta”, mercantilizando o serviço de advocacia, o que é expressamente proibido pelo Conselho Federal.
Em pedido adicional feito nesta segunda-feira (19), a seccional paulista alega possível contradição entre a forma como a Enter se descreve no processo, que seria como mera licenciadora de software, sem relação direta com consumidores ou trabalhadores, e a maneira como apresenta seus serviços ao mercado, incluindo gestão de processos “de ponta a ponta”, recomendação de estratégias e produção de peças em escala. O aditamento pede a exibição de documentos para esclarecer o papel efetivo da empresa.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNa última quarta-feira (14 ), *em outro processo envolvendo o uso de inteligência artificial na prestação de serviços jurídicos*, a OAB-RJ obteve decisão favorável na Justiça Federal, reforçando a discussão sobre os limites da atuação dessas plataformas. A decisão proíbe a Resolve Juizado de comercializar petições produzidas por IA sem a participação de advogado. A plataforma oferecia peças processuais diretamente a cidadãos mediante pagamento de R$ 20.
QUEM CONTRATA QUEM
A OAB-SP considera haver graves indícios de que a Enter agencia a relação entre as empresas clientes e os advogados que assinam as peças. Segundo a petição, o sistema da empresa distribui processos por fluxos e entrega minutas prontas pressupondo qual advogado, interno ou de escritório externo, receberia cada caso e em que condições. A ação cita ainda relatos de que o uso da plataforma seria exigido dos advogados como condição para atuação.

