O temor em parte do STF após fala de Flávio Bolsonaro em Goiás
Promessa de mudar a Constituição para “redemocratizar” o Brasil assusta em parte a Corte, onde o temor é de retrocesso democrático
07/10/2026 12:20

A fala de Flávio Bolsonaro sobre mudar a Constituição para “redemocratizar” o país provocou temor em parte do Supremo Tribunal Federal. O que assustou foi exatamente o complemento: redemocratizar o Brasil.
O candidato fez a declaração nesta terça-feira (6/10), em Goiânia, quando recebeu o apoio de Ronaldo Caiado. Acompanhado de Tarcísio de Freitas, Flávio falou em ter maioria na Câmara e no Senado para promover mudanças constitucionais.
Propor uma emenda à Constituição faz parte das atribuições de um presidente. A questão é outra: o que Flávio chama de “redemocratizar” o país? O Brasil já é democrático.
Isso não significa que as instituições estejam funcionando tão bem. Há problemas no Supremo que precisam ser enfrentados. Mas esses problemas não significam ausência de democracia. A democracia exige aperfeiçoamento constante. Nunca está pronta.
O temor em parte da Corte é outra coisa.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesE há um contexto para essa preocupação. Duas pautas de Flávio são conhecidas: o impeachment de ministros do Supremo e a libertação do pai, Jair Bolsonaro. É com essas bandeiras que a promessa de “redemocratização” se encontra.
Flávio conta com o apoio do Centrão para construir a maioria que anuncia. O avanço da direita no Congresso não lhe dá, automaticamente, todos os votos necessários para mudar a Constituição ou afastar ministros. Essas iniciativas dependem de aliados.
Nesta quarta-feira (7/10), o candidato citou reformas política e do Judiciário, mudanças na reforma tributária, redução da maioridade penal e fim da reeleição. A lista, porém, ainda exige propostas concretas que permitam conhecer o alcance das mudanças.
É isso que Flávio precisa explicar. O que pretende fazer, na economia e na política, para além dos anúncios genéricos? E por que chama de “redemocratização” sua proposta para um país democrático?
Em parte do Supremo, a preocupação é que essa palavra esteja sendo usada para anunciar uma revanche. E que, em vez de aperfeiçoamento, o Brasil enfrente um retrocesso.




