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Matheus Leitão

Nomeação de Nabor, pai de Motta, deveria entrar na conta de Lula 4

Único derrotado da chapa governista na Paraíba, o pai de Hugo Motta reúne credenciais para disputar um espaço no primeiro escalão

30/10/2026 18:00
Instagram/Divulgação
O prefeito de Patos (PB), Nabor Wanderley, é pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos)

A chapa governista saiu da eleição de 4 de outubro na Paraíba quase sem perdas. Lucas Ribeiro (PP) foi reeleito governador, e João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB) ficaram com as duas vagas no Senado. A exceção foi Nabor Wanderley (Republicanos), ex-prefeito de Patos e pai do presidente da Câmara, Hugo Motta.

Nabor terminou em terceiro, com cerca de 888 mil votos, 79 mil atrás de Veneziano. Fora de Campina Grande, a diferença entre os dois foi de apenas 1.200 votos. Pesou na disputa o fato de Nabor ter sido o único nome da aliança ao Senado sem o apoio declarado de Lula, que em junho gravou vídeo pedindo voto para Veneziano.

Com Lula reeleito, a montagem do quarto mandato começou a gerar especulação no estado. Nos últimos dias, o nome da senadora Daniella Ribeiro passou a circular nos jornais paraibanos como cotada para o primeiro escalão. Até agora, porém, nenhum sinal do Planalto sustenta a cotação. Lula ainda deve começou a discutir a nova Esplanada daqui a duas semanas, mas a notícia já surgiu antes de qualquer conversa.

Se vingasse, a indicação seria mais um posto para uma família que já está bem servida. Lucas, filho de Daniella, governa o estado por mais quatro anos. Aguinaldo Ribeiro, irmão dela, ocupa a liderança da Maioria no Congresso. A própria Daniella encerra o mandato à frente da Primeira-Secretaria do Senado, cargo que administra a máquina da Casa. Somar um ministério a essa lista exigiria do Planalto uma justificativa que vá além do resultado das urnas.

O nome de Nabor entra nessa conta por outro caminho, o do filho. Desde o fim de 2025, Hugo Motta conduziu na Câmara pautas centrais para o governo. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi aprovada por unanimidade, e o fim da escala 6×1, pautado em fevereiro, foi promulgado a dez dias do segundo turno. Mesmo com o desconforto pelo apoio de Lula a Veneziano, Hugo e Nabor mantiveram mobilizações em apoio à reeleição do presidente.

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O papel de Hugo tende a crescer na próxima legislatura. O PL terá a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, e também a do Senado, com 29 senadores. Hugo busca a reeleição na presidência da Casa com o apoio de um bloco que vai do Centrão a PSB e PDT. Pela frente, há temas sensíveis para o governo, como a negociação com o Supremo sobre as emendas impositivas e a relação com um Senado mais conservador.

Nabor também tem longa trajetória própria. Governou Patos por quatro mandatos e foi reeleito em 2024 com 73,7% dos votos válidos. Antes, cumpriu dois mandatos de deputado estadual. Na campanha ao Senado, teve o apoio de mais de 170 prefeitos e não deixou de defender Lula, mesmo sob vaias na convenção do PT.

O perfil de gestor do Semiárido, com trânsito entre prefeitos do interior, se encaixa em pastas de entrega regional. Para o Planalto, abrir espaço para Nabor seria também um gesto de equilíbrio entre os aliados paraibanos, num momento em que a governabilidade vai depender, mais do que nunca, da Câmara. E Hugo tem demonstrado boa vontade e maturidade para conduzi-la.