Moraes expede mandado contra Eduardo para calar boato de acordo no STF
Mandado sem efeito prático chega um dia depois de os corredores do STF falarem em saída honrosa para o ministro logo após o segundo turno

Quem passou nesta segunda (7/10) pelos corredores do Supremo Tribunal Federal saiu de lá com o mesmo assunto na cabeça. Assessores e jornalistas espalhavam o tema do dia, e ele tinha cheiro de acordo.
Com a adesão de Michel Temer e dos partidos de centro, cujos líderes nunca gostaram da ideia de derrubar ministros, falava-se numa saída honrosa para Alexandre de Moraes assim que terminasse o segundo turno.
Vinte e quatro horas depois veio a resposta. Incomodado com o burburinho, Moraes determinou a expedição do mandado de prisão contra Eduardo Bolsonaro, cuja condenação transitou em julgado na semana passada.
No papel, era um passo burocrático que cedo ou tarde teria de ser dado. Na prática, muda muito pouco. Eduardo vive nos Estados Unidos, fora do alcance da polícia brasileira.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNa avaliação de criminalistas, a medida não tem efeito prático porque o ex-deputado está foragido em outro país. E, se Flávio vencer a eleição, o irmão tende a ser um dos primeiros contemplados por uma eventual anistia.
Quem conhece a linguagem da corte, porém, sabe ler o gesto. Moraes não mirou a eleição. Mirou o boato. Ao assinar o mandado naquele momento, deixou claro a quem quisesse ouvir que não está de saída nem negociando coisa alguma.
Eduardo, que costuma transformar a indignação em espetáculo, desta vez respondeu quase no automático.
Numa nota em inglês publicada nas redes, disse que o ministro volta a tumultuar o país com uma decisão arbitrária e inútil, já que o governo americano não pretende cumprir ordens desse tipo.
Acusou Moraes de agir em pleno processo eleitoral só para acirrar os ânimos e apostou que no dia 25 de outubro os brasileiros vão eleger Flávio, que ao lado do novo Congresso devolveria a normalidade ao país.
Junto com o texto, compartilhou uma reportagem segundo a qual o PL rejeita qualquer acerto e pretende levar ao Senado em 2027 pedidos de impeachment de Moraes e de Flávio Dino, já contando 49 votos para afastar o ministro.
Se o acordo existiu ou não, só a história vai contar. Este colunista não vê, neste momento, a menor possibilidade disso acontecer.
A pergunta que fica é outra. Se houve conversa, ela passou por Flávio, o senador próximo do centrão que evita carregar o virulência do pai e circula com facilidade entre os colegas.
Resta saber o que acontece quando Jair Bolsonaro deixar a prisão domiciliar, recuperar a liberdade e voltar às redes sociais, se Flávio for mesmo eleito.
Ele aceitaria algum tipo de entendimento com o homem que considera seu algoz?

