Flitabira reúne três rainhas da literatura ao redor de Drummond
Conceição Evaristo, Leda Maria Martins e Maria Mazzarello serão homenageadas no Festival Literário de Itabira, de 29/10 a 1º/11
08/10/2026 09:10

A sexta edição do Flitabira, de 29 de outubro a 1º de novembro, em Itabira, vai reunir um grupo excepcional de mulheres negras que ocupam lugares centrais na literatura, no pensamento, na edição de livros e na história da própria cidade.
No centro dessa história estão Conceição Evaristo, Leda Maria Martins e Maria Mazzarello, as três personalidades homenageadas pelo festival. Elas estarão juntas, no sábado, 31 de outubro, na mesa “Leitura, Antirracismo e os Novos Tempos”.
São três trajetórias que ajudam a contar mudanças profundas ocorridas na cultura brasileira nas últimas décadas.
Conceição Evaristo fez da “escrevivência” uma das ideias mais importantes da literatura brasileira contemporânea.
Leda Maria Martins construiu uma obra fundamental sobre cultura negra, oralidade, ancestralidade e as formas pelas quais o conhecimento atravessa os corpos e o tempo.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesMaria Mazzarello, fundadora da Mazza Edições, abriu espaço no mercado editorial para escritores negros quando publicar esses autores ainda era enfrentar uma estrutura fortemente excludente.
Mas as primeiras rainhas desta história são de Itabira.
O Flitabira escolheu como patronas Dona Tita e Dona Rosinha, duas mulheres do Quilombo Morro Santo Antônio que se tornaram referências da cultura negra itabirana.
Dona Rosinha transformou parte dessa experiência em livro: Memórias do meu Quilombo, com prefácio de Conceição Evaristo. As duas, falecidas neste ano, receberão uma homenagem especial durante o festival, com a participação de Conceição e de seus familiares.
A programação espalha essa presença feminina negra por outros momentos. Carla Akotirene participa da mesa “Amor Preto”. Pétala Souza e Isa Souza estarão juntas em “Futuros Ancestrais”.
E a poeta, escritora, rapper e ativista moçambicana Énia Lipanga acrescenta uma voz africana a esse encontro, participando de uma conversa com a escritora indígena Geni Núñez. Énia é autora de seis livros e desenvolve em Moçambique um trabalho ligado à literatura e à inclusão de pessoas com deficiência.
O resultado é uma configuração rara para um festival literário: mulheres negras não aparecem numa atividade periférica ou numa mesa temática isolada. Elas são patronas, homenageadas e protagonistas de diferentes momentos da programação.
Isso decorre também de uma diretriz permanente do Flitabira, cuja curadoria procura construir a programação com equilíbrio de gênero e diversidade racial.
E tudo acontece em Itabira, terra de Carlos Drummond de Andrade, justamente na edição que celebra os 75 anos de Claro Enigma e tem como tema “A Máquina do Mundo em Nós”.
Na cidade de Drummond, Dona Tita e Dona Rosinha recebem simbolicamente Conceição Evaristo, Leda Maria Martins, Maria Mazzarello e uma geração de mulheres negras que hoje ocupa o centro da vida cultural brasileira.




