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Matheus Leitão

"A gente falhou": Carlos Bolsonaro pediu desculpas ao pai. Ao país, nada

Vacina atrasada, fake news, preconceito, tarifaço e dois filhos nos EUA: a falha não foi da campanha de Flávio, foi do projeto da família

29/10/2026 07:00
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Carlos Bolsonaro

Coube a Carlos Bolsonaro dizer, entre lágrimas, a frase que o resto do clã evita: “desculpa, pai, a gente falhou”. É o mais sincero dos irmãos, e mesmo assim parou no meio da confissão. O pedido de perdão tinha um único destinatário, e não era o brasileiro.

E o país tem motivos de sobra para cobrar. A família não falhou só no domingo (25), quando Flávio perdeu a eleição presidencial. A falha vem de longe e tem vítimas com nome, CPF e atestado de óbito.

A vacina que não veio

Em 2020, enquanto o mundo corria atrás de imunizantes, ofertas da Pfizer ficaram sem resposta no governo Jair Bolsonaro. A CPI da Covid mostrou o descaso. Mostrou também a pressa suspeita na negociação da Covaxin, vacina mais cara e sem aval da Anvisa. O presidente receitava cloroquina, desdenhava das máscaras e dizia que não era coveiro. O Brasil passou de 700 mil mortos. Não há campanha eleitoral capaz de apagar esse número.

O preconceito como método

Bolsonaro construiu a carreira ofendendo. Disse preferir um filho morto a um filho gay. Mediu quilombolas em arrobas. Foi condenado por dizer a uma deputada que ela não merecia ser estuprada. Os filhos herdaram o sobrenome e o repertório, e o eleitor que eles precisavam conquistar se lembrou disso.

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A fábrica de mentiras

Carlos foi apontado em investigações como o cérebro da máquina digital do pai, a estrutura que ficou conhecida como “gabinete do ódio”. Dessa engrenagem saíram ataques sem provas às urnas eletrônicas. O resultado foi a inelegibilidade de Jair, decretada pelo TSE em 2023. Depois veio a condenação pelo STF por tentativa de golpe de Estado. Quem semeia desconfiança na democracia não pode se surpreender quando colhe derrota dentro dela.

O irmão que taxou o Brasil

Eduardo foi para os Estados Unidos em 2025 e, de lá, trabalhou contra o próprio país. Segundo a PGR, ele estimulou o tarifaço americano sobre as exportações brasileiras, a suspensão de vistos de ministros do STF e as sanções da Lei Magnitsky. O objetivo era livrar o pai da condenação. Quem pagou foram exportadores, produtores e trabalhadores, inclusive em Santa Catarina, estado que Carlos vai representar no Senado. Eduardo perdeu o mandato por faltas e foi condenado por unanimidade pelo STF por coação no curso do processo.

E agora, Flávio

Derrotado nas urnas, o candidato do clã repetiu o roteiro do irmão. Saiu do país em operação secreta, depois de descumprir ordem do STF para entregar os passaportes, e desembarcou em Miami com a esposa e as filhas. No vídeo emocionado, Carlos não disse uma palavra sobre isso.

A família que prometia salvar o Brasil termina 2026 com o patriarca em prisão domiciliar, um filho condenado no exterior e outro fugido. Carlos tem razão: eles falharam. Falta admitir que tudo isso começa quando todos nunca respeitaram a constituição.