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Mario Sabino

Topo pagar para Dilma pedalar uma bicicleta

Sairá mais barato do que pô-la como presidente do Banco dos Brics, que ontem recebeu outra vez uma nota maior do que as de bancos americanos

28/02/2023 02:00, atualizado 15/04/2023 12:32
Reprodução/Twitter
Dilma Rousseff anda de bicicleta

Dilma Rousseff foi um desastre como presidente da República. Afundou a economia de tal forma que, passados sete anos do seu impeachment, ainda estamos pagando o preço por seus desatinos desenvolvimentistas e pedaladas fiscais, para maquiar as contas públicas.

O PT pode fazer o diabo para reescrever a história, chamando o impeachment de “golpe”, mas golpe mesmo foi o que o Brasil sofreu sob o governo de Dilma Rousseff. Nesse esforço infernal de revisionismo, o governo Lula quer dar um cargo à ex-presidente. Uma outra presidência. A do New Development Bank (NDB), o chamado Banco dos Brics, com sede em Xangai. Só que o NDB já tem presidente brasileiro: o diplomata, economista e cientista político Marcos Troyjo, um dos melhores quadros já produzidos pelo país, à frente do banco desde 2020. Eu o entrevistei em outubro do ano passado. Ele me disse que o Brasil está “condenado ao sucesso”, no que chamou de “novo capítulo da globalização”. O homem é fera. O mandato de Marcos Troyjo vai até 2025, mas, se fosse por Lula, Dilma Rousseff seria colocada na presidência do banco já.

Quando veio à tona essa vontade de Lula de arrumar um emprego para a companheira de lutas, a imprensa destacou que, no cargo, ela ganharia um salário mensal equivalente a 290 mil reais. Eu não me importo se Dilma Rousseff ganhar até mesmo o dobro disso, desde que ela não esteja em um cargo da importância da presidência do NDB. Ou em qualquer cargo que resvale no setor público, para falar a verdade.

Ontem, a S&P, uma das maiores agências de classificação de risco do mundo, divulgou a nota de crédito que conferiu ao banco presidido por Marcos Troyjo: AA+. É uma notaça que vem se repetindo desde 2018. Para se ter uma ideia, é a mesma nota da Apple. Para se ter uma segunda ideia, é uma nota maior do que a dos cinco maiores bancos americanos: o Goldman Sachs, o JP Morgan Chase, o Citibank, o Bank of America e o Wells Fargo.

A S&P justificou o AA+ conferido ao Banco dos Brics, afirmando que “na nossa opinião, o NDB está crescendo em seu papel de credor anticíclico. Apesar do seu curto histórico operacional, o banco respondeu fortemente às necessidades relacionadas à Covid-19 de seus países membros. O NDB anunciou um total de US$ 10 bilhões para seus mutuários, a fim de ajudar no combate à pandemia e apoio a recuperação econômica”. Ou seja, como banco multilateral de fomento, o Banco dos Brics cumpre o seu papel de forma brilhante.

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Com a sua grande experiência diplomática, ao lado de uma equipe afinada, Marcos Troyjo navega com equilíbrio entre parceiros complicados do ponto de vista geopolítico, como Rússia e China. A Rússia, principalmente, tornou-se um mar ainda mais revolto depois que Vladimir Putin resolveu invadir a Ucrânia, há um ano. Imagine se tivermos uma Dilma Rousseff no lugar de Marcos Troyjo.

Sabe a Regina Duarte? Pois é. Não sou bolsonarista, não, ao contrário do que vão dizer delicados leitores desta coluna, mas eu tenho medo. Medo de que, com Dilma Rousseff lá e o apoio entusiasmado do PT e de ideólogos russos, chineses e outros que tais, talvez inventem de transformar um banco de fomento, idealizado para financiar o desenvolvimento dos seus países membros, em banco com escopos principalmente políticos. 

Como banco político, o NDB poderia incluir ou beneficiar, por exemplo, Venezuela e Cuba. Ou a Argentina quebrada. Os seus dirigentes talvez tentassem ainda criar um sistema próprio de transferências interbancárias que driblasse as sanções ocidentais impostas à Rússia. E, entusiasmados com o seu extraordinário mundo novo, almejassem adotar uma moeda comum para transações comerciais entre os países membros do NDB, a fim de não ficarem atrelados ao dólar dos imperialistas americanos, assim como ficou meio acertado com os argentinos, no âmbito do Mercosul — o que também permitiria contornar sançōes a quaisquer dos seus países.

Nada disso daria certo, ficaríamos sócios de um clube de párias.

Você vai dizer que estou exagerando, mas sou gato escaldado, fazer o quê? Na condição de gato escaldado, proponho que paguemos 290 mil reais por mês a Dilma Rousseff, o mesmo salário do presidente do NDB, mas para ela pedalar no Brasil. Em uma bicicleta. Sairá bem mais barato para o país condenado ao sucesso.