Mario Sabino

O crime organizado nas favelas nasceu do crime organizado na política

Só os tolos não veem que o crime organizado nas favelas cresceu no vácuo das agremiações dedicadas a roubar dinheiro público

atualizado

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Tercio Teixeira/Especial Metrópoles
Megaoperação no Rio de Janeiro. Moradores empilham e fazem contagem de corpos após operação da polícia contra o CV no Rio de Janeiro -- Metrópoles
1 de 1 Megaoperação no Rio de Janeiro. Moradores empilham e fazem contagem de corpos após operação da polícia contra o CV no Rio de Janeiro -- Metrópoles - Foto: Tercio Teixeira/Especial Metrópoles

Benjamin Franklin disse que nada é mais certo neste mundo do que a morte e os impostos. No Brasil, o crime organizado também se tornou inevitável.

É o único aspecto da vida nacional que conta com organização, além dos órgãos oficiais encarregados de escorchar os cidadãos com taxas de todos os tipos.

O crime organizado divide-se entre as agremiações e associações políticas dedicadas a vender ilusões, roubar dinheiro público e fazer tráfico de influência e os comandos que exploram o tráfico de drogas, mandam nos presídios e dominam os territórios das favelas.

Ambos os crimes organizados, o revestido de legalidade e o despido dela, lavam o produto dos seus ilícitos no mercado financeiro, que posa de cego para a origem da bufunfa, desde que ela seja bem gorda.

O primeiro engendrou o segundo: só os tolos não enxergam que os comandos nasceram, cresceram e multiplicaram-se no vácuo institucional criado pelas agremiações e associações políticas dedicadas a roubar dinheiro público.

De alto a baixo, estamos nas mãos de gente desonesta e fria na perseguição de objetivos que se chocam contra qualquer interesse nacional. A ideia de nação ou lhe completamente estranha ou lhe serve apenas como pretexto demagógico.

Na roda infernal brasileira, de tempos em tempos, quem está no alto se encarrega de fazer limpeza embaixo para dar a impressão de que está empenhado em cumprir promessas eleitorais e proteger os cidadãos escorchados com impostos.

Como o corolário da corrupção é a incompetência e a brutalidade, a ação resume-se a incumbir que soldados com fardas, dos batalhões estatais, matem o maior número possível de soldados sem fardas, das favelas dominadas.

Carnificinas são, assim, perpetradas, e também para satisfazer sentimentos vindicativos que ocupam o lugar da justiça omissa ou comprometida. Essas carnificinas, como a de ontem no Rio de Janeiro, não demoram muito a ser relegadas ao esquecimento, depois de feitas as catarses, para tudo permanecer como sempre foi.

Antes de irem para o passado remoto, elas são exploradas eleitoralmente por agremiações e associações políticas que vendem o laxismo como defesa dos direitos humanos, mas cujo negócio principal é o mesmo da corrente rigorista.

É pobre matando pobre de ambos os lados, mas carne de pobre é abundante, fácil de ser reposta. No Brasil dos crimes organizados, carne de pobre, com farda ou sem farda, tem tanto valor como refil de refrigerante. Só os tolos não enxergam no que este país se transformou.

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