Lula pode fazer desaforo a Milei, mas o argentino é um sucesso
Ao visitar Cristina Kirchner, Lula faz desfeita a Javier Milei. Mas o argentino é um sucesso e o brasileiro, um fracasso

É óbvio que, ao visitar Cristina Kirchner, que está em prisão domiciliar, Lula é movido também pelo sentimento de revanche contra Javier Milei, principal adversário da senhora condenada por administração fraudulenta em detrimento do Estado. Tradução: corrupção em licitações.
A revanche é porque o presidente argentino deixou de comparecer à cúpula do Mercosul, no ano passado, no Paraguai, para reunir-se com Jair Bolsonaro, em Santa Catarina.
A desfeita de Lula, no entanto, tem como palco Buenos Aires. Ou seja, a casa de Javier Milei, anfitrião da cúpula deste ano, na qual a presidência do bloco será transmitida ao Brasil.
Precisava? Não precisava. Consta que o Itamaraty, sempre tão capacho, tentou demover Lula da ideia de fazer o desaforo. Não teve êxito. Venceram os maus conselheiros do PT.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA visita de Lula tem também outra motivação. Dar um tapa na cara na Justiça argentina. Julga que Cristina Kirchner, coitada, foi perseguida injustamente, assim como ele próprio.
O teatro faz parte da contínua tessitura da narrativa fantasiosa de que a esquerda sul-americana é vítima de golpes judiciais e políticos. De lawfare e rasteiras constitucionais.
Ao que parece, Javier Milei não vai acusar publicamente o golpe, mas as redes sociais estão aí para fustigar o presidente brasileiro.
Lula diminui de tamanho com o desaforo a Javier Milei, o seu antípoda ideológico que virou sensação internacional ao conduzir com muito êxito a recuperação da Argentina, do qual a esquerda peronista fez terra arrasada.
Eu não acreditava que o presidente argentino pudesse ter sucesso, mas ele renunciou a ideias malucas propostas durante a campanha, enquanto dava um choque de liberalismo na economia do seu país. O resultado, até o momento, é espetacular, e estou pagando a minha língua com mucho gosto. Torço pelos argentinos.
A Argentina está crescendo ao ritmo de quase 6% ao ano, e a inflação mensal, que era de quase 26% ao em dezembro de 2023, caiu para 1,5% em maio deste ano. Ainda está alta, mas a chance de que a normalidade volte a reinar no país, que era inexistente, agora está bem clara no horizonte.
Javier Milei é um sucesso; Lula é um fracasso. A economia brasileira é resiliente apesar do governo, não por causa dele, o contrário do que ocorre na Argentina.
O petista pode fazer o desaforo que quiser, mas a realidade se impõe.




