Mario Sabino

Lula pode fazer desaforo a Milei, mas o argentino é um sucesso

Ao visitar Cristina Kirchner, Lula faz desfeita a Javier Milei. Mas o argentino é um sucesso e o brasileiro, um fracasso

atualizado

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Daniel Bockwoldt/picture alliance via Getty Images / Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto
Presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) -- Metrópoles
1 de 1 Presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) -- Metrópoles - Foto: <p>Daniel Bockwoldt/picture alliance via Getty Images / Hugo Barreto/Metrópoles<br /> @hugobarretophoto</p><div class="m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle"><div id="div-gpt-ad-geral-quadrado-1"></div></div>

É óbvio que, ao visitar Cristina Kirchner, que está em prisão domiciliar, Lula é movido também pelo sentimento de revanche contra Javier Milei, principal adversário da senhora condenada por administração fraudulenta em detrimento do Estado. Tradução: corrupção em licitações.

A revanche é porque o presidente argentino deixou de comparecer à cúpula do Mercosul, no ano passado, no Paraguai, para reunir-se com Jair Bolsonaro, em Santa Catarina.

A desfeita de Lula, no entanto, tem como palco Buenos Aires. Ou seja, a casa de Javier Milei, anfitrião da cúpula deste ano, na qual a presidência do bloco será transmitida ao Brasil.

Precisava? Não precisava. Consta que o Itamaraty, sempre tão capacho, tentou demover Lula da ideia de fazer o desaforo. Não teve êxito. Venceram os maus conselheiros do PT.

A visita de Lula tem também outra motivação. Dar um tapa na cara na Justiça argentina. Julga que Cristina Kirchner, coitada, foi perseguida injustamente, assim como ele próprio.

O teatro faz parte da contínua tessitura da narrativa fantasiosa de que a esquerda sul-americana é vítima de golpes judiciais e políticos. De lawfare e rasteiras constitucionais.

Ao que parece, Javier Milei não vai acusar publicamente o golpe, mas as redes sociais estão aí para fustigar o presidente brasileiro.

Lula diminui de tamanho com o desaforo a Javier Milei, o seu antípoda ideológico que virou sensação internacional ao conduzir com muito êxito a recuperação da Argentina, do qual a esquerda peronista fez terra arrasada.

Eu não acreditava que o presidente argentino pudesse ter sucesso, mas ele renunciou a ideias malucas propostas durante a campanha, enquanto dava um choque de liberalismo na economia do seu país. O resultado, até o momento, é espetacular, e estou pagando a minha língua com mucho gosto. Torço pelos argentinos.

A Argentina está crescendo ao ritmo de quase 6% ao ano, e a inflação mensal, que era de quase 26% ao em dezembro de 2023, caiu para 1,5% em maio deste ano. Ainda está alta, mas a chance de que a normalidade volte a reinar no país, que era inexistente, agora está bem clara no horizonte.

Javier Milei é um sucesso; Lula é um fracasso. A economia brasileira é resiliente apesar do governo, não por causa dele, o contrário do que ocorre na Argentina.

O petista pode fazer o desaforo que quiser, mas a realidade se impõe.

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