Mario Sabino

Giorgia Meloni fez bem ao pôr um fim à loucura do passaporte italiano

Ter um passaporte italiano é algo muito sério para virar apenas uma espécie de salvo-conduto para brasileiros entrarem em Miami

atualizado

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Giorgia Meloni, mulher branca e loira, segurando um sino e de terno preto - Metrópoles
1 de 1 Giorgia Meloni, mulher branca e loira, segurando um sino e de terno preto - Metrópoles - Foto: Reprodução/Twitter

Tenho passaporte italiano há 40 anos, obtido em uma época em que poucos descendentes de imigrantes o requeriam.

Ser cidadão da Itália é, para mim, um desdobramento natural do cultivo de raízes familiares, da minha fluência na língua, da forte influência que a cultura italiana teve na minha formação, dos meus laços de amizade, do amor verdadeiro que tenho pelo país do meu avô materno, jornalista que, perseguido pelo fascismo, instalou-se no Brasil na década de 1920 e aqui permaneceu exilado.

Não quis ter o passaporte da Itália, portanto, para entrar mais facilmente  nos países da União Europeia ou nos Estados Unidos. Nunca usei o passaporte da Itália para passar pela imigração americana.

A cidadania italiana faz parte da minha identidade, ela a completa.

Quando começou a esbórnia com o passaporte italiano, fiquei chocado. Milhares de brasileiros sem conhecimento da língua, da cultura e da realidade italianas, alguns até com certa visão folclórica da sua ascendência, correram para obter o documento, apenas porque isso lhes facilitava a entrada nos Estados Unidos, principalmente.

O resultado foi que os consulados da Itália passaram a dedicar-se quase que inteiramente à emissão de passaportes, em um trabalho que pode ser classificado como não menos do que insano. Tribunais italianos, como o de Veneza, também se viram inundados de processos de gente requerendo a formalização da cidadania — que, não se esqueça, acaba dando direito a voto a quem nem sequer fala a língua do país. Criou-se, assim, um negócio bastante lucrativo, envolvendo advogados e despachantes brasileiros e italianos.

Quando se cria um negócio, abre-se caminho também para a fraude do negócio, e espertalhões passaram a oferecer atalhos criminosos para a obtenção do documento.

Dar um basta a essa loucura era necessário, e o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni fez bem ao colocar-lhe um freio, limitando a cidadania por jus sanguinis a descendentes diretos de parentes até o segundo grau nascidos na Itália. Espero que o parlamento aprove a lei, preservando  direitos já adquiridos. Mesmo com a nova legislação, tudo indica que a Itália continuará a ser generosa no reconhecimento da cidadania, bem mais do que França e Alemanha, por exemplo, entre outros países europeus.

O passaporte italiano é algo muito sério para virar somente uma espécie de salvo-conduto para entrar em Miami ou para conseguir morar legalmente em outros países europeus. É algo muito belo.

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