Mario Sabino

Fraudes no INSS: André Mendonça é terrivelmente conveniente

André Mendonça terá a grande chance de mostrar a que veio para quem o criou e também de atender à necessidade política do STF

atualizado

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Gustavo Moreno/SCO/STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça -- Metrópoles
1 de 1 O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça -- Metrópoles - Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF

André Mendonça, alinhado a Jair Bolsonaro, foi sorteado para ser o relator dos inquéritos sobre as fraudes do INSS, que subiram para o STF. Entrou no lugar de Dias Toffoli, petista em busca de perdão, que havia se autodeclarado juiz prevento do caso e paralisado todas as investigações.

Antes disso, no Congresso, a oposição derrotou o governo e ficou com a presidência e a relatoria da CPMI sobre a roubança bilionária perpetrada contra aposentados e pensionistas.

Qual das duas frentes de guerra é a mais arriscada para Lula?

O desgaste político mais imediato virá da CPMI, em especial se o irmão do presidente da República, Frei Chico, que faz parte da direção de um sindicato gatuno, for convocado a depor.

Como o simples fato de ser convocado torna o sujeito culpado aos olhos do vulgo, os petistas já tentam evitar que Frei Chico seja jogado às feras. E vai que, para piorar muito, ele seja culpado mesmo de ter roubado o dinheiro dos velhinhos e das viúvas, não é?

É claro que deverá haver desgaste também para a oposição, porque as fraudes, que decuplicaram sob Lula, teriam começado durante o governo de Jair Bolsonaro. O Palácio do Planalto e a bancada governista poderão contar com a ajuda de boa parte da imprensa para a sua missão de eclipsar a responsabilidade do atual presidente com a negligência do seu antecessor.

Não se deve subestimar a possibilidade de a CPMI trazer revelações concretas, inclusive porque ela se debruçará sobre os governos de Dilma Rousseff (ruim para o PT) e de Michel Temer (indiferente a todo mundo).  Às vezes, os circos brasileiros escapam do controle dos malabaristas, e os palhaços ficam em segundo plano. Nesse caso, o maior prejudicado deverá ser Lula, porque as associações que depenaram os aposentados e pensionistas estão na órbita do petismo.

A aposta, porém, é que o chumbo grosso virá é do STF. Não apenas porque os inquéritos, novamente em andamento depois da paralisia induzida por Dias Toffoli, contarão com investigações consistentes, mas porque André Mendonça terá a grande chance de mostrar a que veio para quem o criou.

Deverá impulsioná-lo também, e não pouco, a necessidade política de o STF dar uma no cravo petista, depois de dar tantas na ferradura bolsonarista. O fato de André Mendonça ter sido sorteado para substituir Dias Toffoli veio muito a calhar nesse sentido. Ele é terrivelmente conveniente.

Estamos a pouco mais de um ano das eleições, e os atores do espetáculo começam a se posicionar para o caso de algo mudar para que tudo permaneça como sempre foi.

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