
Debate entre Flávio e Lula: dois símios jogando excrementos um no outro
Em meio à névoa excrementícia que a todos envolva, pôde-se entrever que, com Lula, insistiremos no mesmo erro; com Flávio, mudaremos de erro

O debate entre Flávio Bolsonaro e Lula, promovido pela Band, foi o ponto mais baixo e previsível não somente de uma campanha de nível abissal, mas de uma evolução de matriz darwiniana.
Evolução reversa. Desde o advento da Nova República, a democracia brasileira vem selecionando os piores para o exercício da atividade política — no caráter, nas ideias, no preparo intelectual, na expressão verbal, nos horizontes para além das fronteiras da mediocridade. A única exceção espantosa, que sublinha ainda mais o desastre geral, ficou a cargo de FHC e de uma dezena de nomes que compunham o seu séquito.
A esquerda, sempre na vanguarda do atraso, selecionou o seu pior logo no início: Lula. A direita, por sua vez, demorou quase três décadas a mais para fazê-lo, e eis aí os Bolsonaro.
É o que temos para hoje; é o que teremos para amanhã, e o contexto mundial está longe de ajudar em sentido contrário, uma vez que os países outrora bastiões civilizatórios estão ficando cada vez mais parecidos com o Brasil, graças também ao padrão influencer que vem tomando conta de todos os aspectos da existência humana.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDada a premissa, vamos ao debate em si. O formato dele foi ruim ao privilegiar o confronto pessoal, com o resultado esperável de dois símios atirando os próprios excrementos um no outro. Melhor tentar contê-los um pouco no próximo debate, o da Globo.
Lula, que chegou à velhice sem ler um clássico sequer que pudesse apaziguá-lo no crepúsculo da vida, mostrou ser um símio irritadiço, como o são, em geral, os símios desprovidos de cultura consolatória; em certos momentos, esteve completamente perdido, sem falar coisa com coisa. Faltou-lhe roteiro, sobraram-lhe Janjas no auditório irrequieto.
Flávio, por sua vez, apresentou-se como símio espevitado, mandrião orgulhoso da sua genealogia de nenhuma luz, mas de calor excessivo. Estava ali para provocar o símio idoso e trabalhar em prol dos cortes para exibição nas redes sociais. Seguiu à risca o script ditado pelos seus treinadores. Findo o debate, correu saltitante para receber abraços de recompensa e, quem sabe, algum petisco.
Em meio à névoa excrementícia que a todos envolvia, o que se pôde entrever nas falas de ambos é que, com Lula, o governo continuará a afundar o país no rombo fiscal; as estatais ineficientes permanecerão como peso nas nossas costas; os pobres se manterão na condição de massa de manobra alimentada a assistencialismo; o crime organizado seguirá romantizado como ato de resistência.
Com Flávio, por sua vez, talvez o país volte a ter direção na economia, uma e outra estatal ineficiente deixe de ser fardo aos pagadores de impostos; o crime organizado passe a ser combatido de forma mais sistemática. Isso tudo, claro, se Flávio cercar-se das pessoas certas, e elas tiveram autonomia para fazer o seu trabalho, o que nunca está garantido em se tratando da família Bolsonaro, bastante ciosa de espaços que nunca deveriam ser seus.
Pode ser que, no próximo domingo, os indecisos que são fiel da balança resolvam despachar o símio octogenário para a aposentadoria final e dar chance ao símio saltitante. Nesse caso, trocaremos de erro, mas quem sabe fazendo acertos urgentes para tudo continuar como sempre foi, apenas sem maiores solavancos, afora a estridência esquerdista, em paráfrase de uma linha do romance que Lula e Flávio nunca lerão.
