
Mario SabinoColunas

Começou: Boulos bota bloco na rua, ataca Castro e leva um “paspalhão”
Está aberta a campanha de reeleição de Lula, com Boulos encarregado de botar o bloco na rua e de dizer o que Lula não pode dizer, mas vai
atualizado
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Guilherme Boulos foi ativado na condição de ministro da Reeleição de Lula, que é como deveria passar a se chamar o cargo que ele ocupa formalmente, o de ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.
O moço acaba de instituir o programa “Governo na Rua”. Na portaria assinada por Guilherme Boulos, está escrito que a coisa tem como “finalidade primordial promover a ampliação e o aprofundamento da participação social e da democracia, por meio da atuação direta nos territórios”.
Como é preciso dourar bem a pílula, criou-se um Grupo de Trabalho Técnico para rechear o programa com aquelas prosopopéias com as quais a esquerda gosta de encher a boca.
Macaco velho que sou, e com vista cansada de ilusões em relação à humanidade, muito menos quanto à sua parte brasileira, acho que o trololó institucional camufla mal o objetivo dos companheiros: mapear onde há menos pobres dispostos a votar em Lula e despejar favores e assistencialismos neles. É bloco da reeleição na rua e dinheiro público a rodo.
Dito isso, tudo leva a crer que, na sua nova função em profissão tão antiga (a de cabo eleitoral, bem entendido), Guilherme Boulos terá ainda a função de dizer o que o chefe não pode dizer abertamente contra os adversários nas urnas, embora Lula sempre acabe abrindo a boca para expressar o que lhe vai pela cachola.
O ministro da Reeleição fez a sua estreia ao atacar o governador do Rio Janeiro, Cláudio Castro, o novo fantasma a assombrar o plano petista de permanecer no poder. O bolsonarista ressuscitou os ânimos da direita com a megaoperação policial aprovada pela maioria dos cidadãos e precisa levar chumbo, com o perdão do trocadilho.
No sábado, em São Paulo, o ministro partiu para cima de Cláudio Castro e dos demais governadores bolsonaristas, dizendo que eles faziam “demagogia com sangue”.
A imprensa foi ouvir o governador para saber se ele iria deixar por isso mesmo. Cláudio Castro, então, disse que Guilherme Boulos era um “paspalhão”. Para ser literal, a frase foi: “esse aí é um paspalhão”.
Parêntese. Fazia tempo que não ouvia a palavra “paspalho”, bem como o seu aumentativo. A minha avó materna, que Deus a tenha na Sua glória, gostava de usá-la. Havia grande quantidade de paspalhos e paspalhões na época da minha avó, a julgar pela recorrência com a qual distribuía o substantivo, e eu até imaginava que os paspalhos e paspalhões tivessem desaparecido depois da morte dela, mas Cláudio Castro me lembrou que não. Fecha parêntese.
Ao ser tachado com o simpático sinônimo para tolo, insignificante, inútil, Guilherme Boulos mastigou a ofensa e cuspiu que daria um “um desconto, porque ele (Castro) deve estar muito angustiado com o avanço das investigações depois da prisão do seu parceiro TH Joias”. O moço não deu desconto nenhum, pelo contrário, já que não pode deixar de mostrar a que veio.
A campanha eleitoral está aberta, se é que algum dia ela esteve fechada, e só nos cabe desejar aos envolvidos que se matem dentro dos largos princípios permitidos pelo gasto indiscriminado de dinheiro público, nunca pela lei, percamos a esperança nós que entramos nessa roubada. Se possível, que também nos matem de rir, visto que pagamos pelo espetáculo como bons paspalhos que somos. Guilherme Boulos, pelo menos, é diversão garantida.