Mario Sabino

Começou: Boulos bota bloco na rua, ataca Castro e leva um “paspalhão”

Está aberta a campanha de reeleição de Lula, com Boulos encarregado de botar o bloco na rua e de dizer o que Lula não pode dizer, mas vai

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Artur Rodrigues/ Metrópoles
Imagem colorida mostra homem de cabelo curto escuro e barba também escura. Ele veste uma jaqueta fechada na cor vermelha e estica as duas mãos à frente do corpo. Ele está sorridente, é Guilherme Boulos -- Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra homem de cabelo curto escuro e barba também escura. Ele veste uma jaqueta fechada na cor vermelha e estica as duas mãos à frente do corpo. Ele está sorridente, é Guilherme Boulos -- Metrópoles - Foto: Artur Rodrigues/ Metrópoles

Guilherme Boulos foi ativado na condição de ministro da Reeleição de Lula, que é como deveria passar a se chamar o cargo que ele ocupa formalmente, o de ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.

O moço acaba de instituir o programa “Governo na Rua”. Na portaria assinada por Guilherme Boulos, está escrito que a coisa tem como “finalidade primordial promover a ampliação e o aprofundamento da participação social e da democracia, por meio da atuação direta nos territórios”.

Como é preciso dourar bem a pílula, criou-se um Grupo de Trabalho Técnico para rechear o programa com aquelas prosopopéias com as quais a esquerda gosta de encher a boca.

Macaco velho que sou, e com vista cansada de ilusões em relação à humanidade, muito menos quanto à sua parte brasileira, acho que o trololó institucional camufla mal o objetivo dos companheiros: mapear onde há menos pobres dispostos a votar em Lula e despejar favores e assistencialismos neles. É bloco da reeleição na rua e dinheiro público a rodo.

Dito isso, tudo leva a crer que, na sua nova função em profissão tão antiga (a de cabo eleitoral, bem entendido), Guilherme Boulos terá ainda a função de dizer o que o chefe não pode dizer abertamente contra os adversários nas urnas, embora Lula sempre acabe abrindo a boca para expressar o que lhe vai pela cachola.

O ministro da Reeleição fez a sua estreia ao atacar o governador do Rio Janeiro, Cláudio Castro, o novo fantasma a assombrar o plano petista de permanecer no poder. O bolsonarista ressuscitou os ânimos da direita com a megaoperação policial aprovada pela maioria dos cidadãos e precisa levar chumbo, com o perdão do trocadilho.

No sábado, em São Paulo, o ministro partiu para cima de Cláudio Castro e dos demais governadores bolsonaristas, dizendo que eles faziam “demagogia com sangue”.

A imprensa foi ouvir o governador para saber se ele iria deixar por isso mesmo. Cláudio Castro, então, disse que Guilherme Boulos era um “paspalhão”. Para ser literal, a frase foi: “esse aí é um paspalhão”.

Parêntese. Fazia tempo que não ouvia a palavra “paspalho”, bem como o seu aumentativo. A minha avó materna, que Deus a tenha na Sua glória, gostava de usá-la. Havia grande quantidade de paspalhos e paspalhões na época da minha avó, a julgar pela recorrência com a qual distribuía o substantivo, e eu até imaginava que os paspalhos e paspalhões tivessem desaparecido depois da morte dela, mas Cláudio Castro me lembrou que não. Fecha parêntese.

Ao ser tachado com o simpático sinônimo para tolo, insignificante, inútil, Guilherme Boulos mastigou a ofensa e cuspiu que daria um “um desconto, porque ele (Castro) deve estar muito angustiado com o avanço das investigações depois da prisão do seu parceiro TH Joias”. O moço não deu desconto nenhum, pelo contrário, já que não pode deixar de mostrar a que veio.

A campanha eleitoral está aberta, se é que algum dia ela esteve fechada, e só nos cabe desejar aos envolvidos que se matem dentro dos largos princípios permitidos pelo gasto indiscriminado de dinheiro público, nunca pela lei, percamos a esperança nós que entramos nessa roubada. Se possível, que também nos matem de rir, visto que pagamos pelo espetáculo como bons paspalhos que somos. Guilherme Boulos, pelo menos, é diversão garantida.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comMario Sabino

Você quer ficar por dentro da coluna Mario Sabino e receber notificações em tempo real?