Mario Sabino

Charlie Kirk: esquerda chafurda no ódio, e Peninha foi longe demais

A esquerda chafurdou no antissemitismo e no ódio ideológico, na semana passada. Fux virou um “judeu sujo”; Charlie Kirk “mereceu morrer”

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução/Reuters/Redes Sociais
Charles Kirk, em montagem com a foto do instante em que foi atingido por um tiro -- Metrópoles
1 de 1 Charles Kirk, em montagem com a foto do instante em que foi atingido por um tiro -- Metrópoles - Foto: Reprodução/Reuters/Redes Sociais

A esquerda chafurdou no antissemitismo e no ódio ideológico, na semana passada. Por ter divergido dos seus colegas no STF e absolvido Jair Bolsonaro, o ministro Luiz Fux foi chamado de “judeu sujo”; assassinado no campus da universidade de Utah, diante de centenas de pessoas, o ativista conservador americano Charlie Kirk “mereceu morrer”.

Confesso que nunca tinha ouvido falar de Charlie Kirk, e fui assistir a alguns vídeos dele. Kirk me fez lembrar os monitores da Associação Cristã de Moços (ACM), que frequentei na adolescência.

Fui monitor da ACM, veja só. Jogava basquete lá, veja só. E desisti da ACM ao verificar que havia certa simpatia de gente tão cristã por brutamontes que espancavam travestis, moda paulistana no início da década de 1980, assim como o sapato de bico fino. A direita não é melhor do que a esquerda, em matéria de instintos primitivos.

Em relação ao assassinato do rapaz, a demonstração de ódio mais impressionante foi a de Eduardo Bueno, também chamado de Peninha. Ele foi longe demais. Não gosta de ser associado à esquerda, mas se juntou a ela na indignidade.

Eu conheci Peninha muito antes de ele se tornar um divulgador bem-sucedido de história do Brasil. Nunca fui seu amigo, nós nos víamos apenas quando ele passava na redação da Folha, onde eu era o responsável pelas páginas de resenhas de livros.

Encontrei-o também na Feira de Livros de Frankfurt, quando eu trabalhava na editora Scipione, mas trocamos poucas palavras, e me lembro vagamente de um elogio dele ao filósofo Stuart Mill, um apóstolo do liberalismo, sei lá por quê.

Peninha divulgava os lançamentos da editora gaúcha L&PM, onde também fazia o papel de editor, se não estou enganado. A sua especialidade eram os autores beatniks, que faziam um sucesso anacrônico no Brasil, entre a moçada entusiasmada com os estertores da ditadura militar. Ele também adorava Bob Dylan (judeu, aliás, como Luiz Fux).

Era um sujeito falante e engraçado, com o mesmo corte de cabelo usado até hoje, que o torna parecido com o personagem Peninha, justamente, o pato jornalista de Walt Disney

Como eu tinha na cabeça o Peninha de 40 anos atrás, foi um choque ainda maior me deparar com o Peninha de 2025, que destila veneno contra Charlie Kirk e faz ironia com a sua morte.

Difícil acreditar que o Peninha do passado já trazia em si o Peninha do presente, mas é isto mesmo: o menino é pai do homem, e basta surgirem condições ideais para ele mostre a sua verdadeira face.

No vídeo chocante, Peninha debocha do assassinato do ativista conservador, dizendo: “Mataram o Charlie Kirk. Ai, coitado, tomou um tiro, não sei se na cara, o Charlie Kirk… Terrível um ativista ser morto por suas ideias, exceto quando é o Charlie Kirk. Tem duas filhas pequenas, que bom pra filhas dele, né?”

A direita caiu em cima da abjeção: promoveu uma campanha de cancelamento (o vídeo foi retirado do Instagram), pressionando para que palestras de Peninha fossem anuladas e sugerindo ao governo americano que o visto da sua filha, que mora no Texas, fosse revogado.

Ele, então, fez o que julga ser uma retratação, e a emenda piorou consideravelmente o soneto. Vou até abrir um parágrafo para reproduzir o que ele disse no Instagram:

“Os deslizes e excessos eventualmente nos incitam e empurram, e não restam dúvidas que cometi. Estou aqui para fazer retratação seguida de poréns (…) Foram parlamentares políticos de extrema direita (que fizeram campanha contra mim), nociva e desprezível, e eu lamento ter dado combustível para eles. Serviu de cortina de fumaça para que não se discutisse a condenação de militares golpistas (…) Eu deveria ter escrito sobre esta criatura desprezível que foi assassinada. Embora o assassinato sempre seja algo a ser lamentado, o mundo sem a presença de certas pessoas, como Hitler e Stalin – embora ele (Kirk) não tenha o mesmo alcance que esses aí – é um lugar que fica melhor. E é um lugar que fica melhor com pessoas do meu tipo.”

Na verdade, o mundo está muito longe de ser um bom lugar, não importa quem o habite. Bob Dylan, venerado por Peninha, foi quem resumiu bem: “A democracia não governa o mundo, é melhor você colocar isso na sua cabeça; Este mundo é governado pela violência, mas acho que é melhor não dizer isso”.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comMario Sabino

Você quer ficar por dentro da coluna Mario Sabino e receber notificações em tempo real?