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Mario Sabino

A invasão a Ceuta tem culpada: a esquerda

As imagens apocalípticas da invasão a Ceuta protagonizada por homens jovens têm responsável: o populismo da esquerda espanhola

31/07/2026 11:00, atualizado 31/07/2026 11:44
Europa Press via Getty Images
Migrantes de Marrocos chegam a nado na Espanha

Em 48 horas, de 50 a 60 mil marroquinos e argelinos entraram ilegalmente em Ceuta, cidade do enclave espanhol no Marrocos. De acordo com o Ministério do Interior da Espanha, 25 mil já teriam retornado ao Marrocos. Na contabilidade mais recente, 34 morreram durante a travessia marítima.

Quantos ainda tentarão alcançar o território espanhol na Europa e, a partir dali, a França, a Alemanha, a Itália ou outro país que faz parte do Espaço Schengen?

Não se sabe.

As imagens apocalípticas da invasão a nado e por meio de embarcações precárias protagonizada por homens jovens têm culpado: o populismo da esquerda espanhola. Da esquerda europeia.

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Em janeiro, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou que regularizaria a situação de imigrantes ilegais que entraram na Espanha antes de 31 de dezembro de 2025 e que lá estavam havia pelo menos 5 meses. Menos de meio ano. Nada.

A estimativa é que a medida alcançaria 500 mil pessoas. Em menos de 2 meses, porém, mais de um milhão de pedidos de regularização foram registrados pelo Ministério do Interior espanhol.

A Espanha adotou essa medida sem consultar os demais países que integram o Espaço Schengen. Ou seja, ao regularizar uma quantidade enorme de imigrantes ilegais, praticamente lhes franqueou as fronteiras de mais de duas dezenas de nações vizinhas.

Na África e na América Latina, de onde sai a maioria das pessoas que entram na Europa via Espanha, a medida foi entendida como sinal de que Madri poderia repetir a legalização em massa em futuro próximo.

Como se não bastasse esse ato tresloucado da esquerda espanhola, a Corte Suprema do país cometeu outra barbaridade há menos de um mês — e essa foi a causa específica da invasão a Ceuta.

Desde 2015, havia uma disposição introduzida na lei de imigração especialmente para os casos de Ceuta e Melilla, a outra cidade do enclave espanhol no Marrocos.

De acordo com essa disposição, estrangeiros flagrados transpondo obstáculos fronteiriços poderiam ser repatriados imediatamente ao país de onde saíram.

Ao analisar a regra, no entanto, em provocação legal feita por um argelino que chegou a nado, a Corte Suprema decidiu que o procedimento de repatriação imediata só pode ser aplicado em relação a barreiras materiais, como é o caso das cercas que circundam Ceuta e Melilla.

Para os juízes, o mar não é barreira física equivalente a cercas e, portanto, quem chega a nado ou em barco ao enclave espanhol não pode ser devolvido prontamente ao Marrocos ou a qualquer outro país.

A decisão muito progressista do tribunal espanhol obriga, agora, que as autoridades espanholas, ao se deparar com indivíduos que chegam pelo mar, adotem o procedimento ordinário: identificação, avaliação individual da situação de cada indivíduo, obrigação de dar assistência legal e possibilidade de o imigrante ilegal pedir proteção internacional antes de ocorrer a repatriação.

A invasão a Ceuta é fruto dessa desconexão com a realidade da Corte Suprema de um país cujo governo de esquerda também não tem vasos comunicantes com o mundo em que vivemos.

O resultado é que lá está o primeiro-ministro Pedro Sánchez em Ceuta, esbravejando contra o ataque à integridade territorial da Espanha.

A esquerda europeia descobriu da noite para o dia, veja só, que países africanos como o Marrocos fazem vista grossa para a migração ilegal e que há traficantes de seres humanos que atuam no Mediterrâneo em conluio com ONGs aparentemente muito boazinhas.

Tudo o que a direita europeia, principalmente a italiana, hoje liderada por Giorgia Meloni, denuncia há quinze anos, desde que a França e os Estados Unidos bombardearam a Líbia e propiciaram a derrubada de Muammar Kadafi, abrindo caminho para a crise migratória na região.

Não, não é tudo xenofobia, racismo e falta de humanidade.