A derrota de Trump mostra que nunca houve ameaça à democracia americana
A democracia americana terá uma vida bem mais longa do que a dos seus atuais protagonistas. Quem manda nela são os eleitores

A vitória avassaladora da oposição nas eleições de meio de mandato de Donald Trump mostraram que as notícias sobre a morte da democracia americana eram prematuras.
Aos 250 anos, o sistema que fez dos Estados Unidos a nação grandiosa que é continua capaz de se regenerar pelo voto.
Os eleitores disseram não a um presidente que, além de trair promessas de campanha, como a de evitar enfiar o país em guerras inflacionárias como a do Irã, vinha dando vazão a tentações autoritárias que causavam pesadelos aos assustadiços com a possibilidade de a própria democracia ser subvertida.
Eles, os eleitores, contiveram Trump punindo o seu partido, o Republicano, que se deixou tomar por um narcisista perverso e pagou a conta nas urnas, como deve ser.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO resultado está aí: os republicanos perderam a maioria no Senado e na Câmara, e o inquilino da Casa Branca terá de se haver nos próximos dois anos com um Partido Democrata que ressurgiu das cinzas para enquadrá-lo.
Ao contrário do que acreditavam os assustadiços, nunca houve a menor chance de a realidade imitar a distopia do romance The Plot Against America, de Phillip Roth, no qual a mais vigorosa democracia do mundo se vê na iminência de aderir ao nazifascismo.
A derrota de Trump e dos republicanos desfez também a narrativa de que os Estados Unidos estavam para se tornar uma nação governada pelos plutocratas da tecnologia. As centenas de milhões de dólares despejadas por Elon Musk e similares em campanhas de amigos teleguiados revelaram-se um desperdício de dinheiro.
A história ensina que americanos não toleram candidatos a reis, imperadores, ditadores ou caudilhos de qualquer espécie. As realezas americanas sempre têm prazo de validade, duram o tempo da perda de ilusões.
Mais recentemente, eles também se mostraram avessos a uma elite intelectual que começou a subestimá-los como uma gente atrasada que deveria ter os seus valores fundamentais substituídos pelos das cartilhas woke escritas em universidades caras — e foi essa recusa que, em boa parte, determinou a ascensão de Trump.
Ao fim e ao cabo, o Partido Democrata foi ressuscitado não por suas qualidades, ele está perigosamente tomado por socialistas ensandecidos, e sim pelos desastres do atual presidente e pela complacência dos republicanos com ele. Nada está garantido para ninguém em 2028, quando os eleitores escolherão o sucessor de Trump.
A única certeza é que a democracia americana terá uma vida bem mais longa do que a dos seus atuais protagonistas. Quem manda nela são os eleitores.

