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Manoela Alcântara

PF suspeita que R$ 470 mil encontrados com Sóstenes vieram de saques de irmãos advogados

PF afirma que etiquetas encontradas em dinheiro apreendido com deputado levaram a empresas ligadas a dois advogados investigados por saques

01/07/2026 13:51, atualizado 01/07/2026 14:19
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HUGO BARRETO/METRÓPOLES @hugobarretophoto
PF suspeita que R$ 470 mil encontrados com Sóstenes vieram de saques de irmãos advogados

Após apreender dinheiro vivo com o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a Polícia Federal (PF) rastreou a origem do dinheiro e chegou a dois irmãos que, segundo a investigação, teriam movimentado mais de R$ 15 milhões em saques em espécie.

De acordo com representação encaminhada pela PF ao ministro Flávio Dino, após apreender R$ 468,7 mil em espécie com Sóstenes, em cédulas de R$ 100, os investigadores constataram que parte do montante estava acondicionada em pacotes bancários com etiquetas de identificação.

As etiquetas continham informações usadas pelos bancos para identificar a origem do dinheiro e permitiam vincular os pacotes às operações que deram origem aos saques.

Com base nessas informações, a PF solicitou esclarecimentos a uma dessas instituições, que identificou as contas de duas empresas das quais o dinheiro teria sido sacado. A partir desse rastreamento, os investigadores chegaram aos irmãos advogados Jonas Keslley Gonçalves Umbelino e Jecy Kenne Gonçalves Umbelino.

Segundo a corporação, o dinheiro passava por empresas do mesmo grupo antes de ser sacado em espécie, em uma dinâmica que teria como objetivo dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos.

Conforme apurou a coluna, os irmãos foram alvo da operação deflagrada na manhã desta quarta-feira (1º/7), que apura um suposto esquema de desvio de recursos da cota parlamentar.

Além dos irmãos, o advogado Thiago Ferreira de Paula, apontado como comprador do imóvel que Sóstenes afirma ter vendido para justificar a origem dos R$ 468,7 mil apreendidos pela PF, foi alvo da operação.

Os investigadores do caso apuraram que Thiago apresentou movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada e não há registro do saque de R$ 500 mil, que, conforme a escritura, teriam sido utilizados para pagar o imóvel de Sóstenes em espécie.

A PF também destacou que o registro da transferência do imóvel ocorreu apenas após a apreensão do dinheiro.

Sóstenes não foi alvo dessa fase da operação.

Operação

A ação é a terceira fase da Operação Rent a Car e tem como objetivo aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos relacionado à locação de veículos custeada com verba parlamentar. Os alvos desta etapa são advogados.

Conforme mostrou a coluna de Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, a Polícia Federal aponta indícios da participação de agentes públicos, particulares e empresas que teriam sido utilizadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos.

Os investigadores também apuram possíveis tentativas de ocultação ou destruição de provas, o que pode configurar fraude processual.

Nas fases anteriores da Operação Rent a Car, a PF identificou supostas irregularidades na contratação de uma empresa de locação de veículos com recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), verba destinada ao custeio de despesas relacionadas ao mandato de parlamentares.