Mensagens de Vorcaro a Moraes: Mendonça quer levar caso ao plenário do STF
Segundo Mendonça, pelo modelo democrático e republicano, deliberação do caso deve ocorrer pelo plenário da Corte,"de forma pública"

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que levar ao plenário da Corte a análise sobre os novos elementos das investigações do Caso Master que apontam troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro. As investigações da Polícia Federal (PF) revelam ainda que Vorcaro “mantinha uma sofisticada rede de monitoramento e influência clandestina, municiada por vazamentos de informações sigilosas vindas de dentro do Banco Central (Bacen) e do próprio Poder Judiciário”.
“Diante do teor das informações apresentadas pela autoridade policial, independentemente de qual venha a ser a manifestação exarada pela douta Procuradoria-Geral da República, o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste STF, instância soberana para analisar, de modo técnico e estritamente jurídico, os novos elementos trazidos pela autoridade policial”, disse Mendonça em decisão desta terça-feira (1º/9).
O relator do Caso Master na Corte ressalta que, pelo modelo democrático e republicano, deliberação do caso deve ocorrer pelo plenário da Corte,”de forma pública e transparante, em sessão presencial do Colegiado”. A data, pelo que diz Mendonça deve ser decidida pelo ministro Edson Fachin, presidente do STF.
As novas evidências no Caso Master, que vieram à tona nesta terça-feira (1º/9), foram obtidas a partir da análise técnica e descriptografia do aparelho celular apreendido com Daniel Vorcaro.
A gravidade das revelações embasou a recente decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que classificou a atuação do grupo como uma infiltração nas mais elevadas instâncias da República. O magistrado deu um prazo de 72 horas para que a PF identifique todos os envolvidos nos diálogos.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraConforme publicado pelo Metrópoles, na coluna Andreza Matais, mensagem enviada por WhatsApp cita duas autoridades da República: o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Alerta de prisão com “significativa antecedência”
A partir dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ficou comprovado que Vorcaro soube de sua primeira ordem de prisão preventiva com “significativa antecedência”. Essa prisão inicial foi decretada pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal em 17 de novembro de 2025.
Devido ao vazamento prévio, Vorcaro foi detido, naquele mesmo dia, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), no exato momento em que tentava embarcar em um voo com destino a Malta.
Posteriormente, embora aquela prisão tenha sido substituída por medidas cautelares pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), os diálogos provaram que o empresário continuou monitorando os passos das autoridades federais.
De acordo com o despacho do STF, o monitoramento ilegal feito pela organização criminosa ia muito além de processos judiciais penais. As mensagens interceptadas demonstraram que Vorcaro recebia informações privilegiadas sobre apurações em andamento no Bacen.
O empresário tinha ciência antecipada de procedimentos regulatórios e fiscalizações financeiras que poderiam ser prejudiciais aos seus negócios e que estavam na iminência de serem apreciadas tanto pelo Judiciário quanto pela diretoria colegiada do Bacen.
Munido dessas informações, os relatórios da PF indicam que Vorcaro tentava intervir diretamente nas decisões.




