Juiz do TJPE relata ter sofrido xenofobia em Porto Alegre por causa de sotaque
O juiz Francisco Tojal, que está na capital gaúcha como palestrante, relatou ter sido hostilizado em restaurante por sua origem nordestina

O juiz Francisco Tojal, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), denunciou ter sido vítima de xenofobia durante um episódio ocorrido em um restaurante de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.
O magistrado, que está na cidade como palestrante, afirma ter sido hostilizado por causa de seu sotaque nordestino e alvo de tentativas de rotulá-lo politicamente. Segundo seu relato no Instagram, ele estava vestido inteiramente de preto, sem qualquer identificação partidária, e apenas queria fazer uma refeição e descansar. Veja depoimento:
Ver esse post no Instagram
Tojal afirmou que a situação o deixou paralisado, com medo de sofrer novas agressões, possivelmente mais graves. O juiz ressaltou que, por força de suas atribuições, não pode declarar em quem vota, e destacou que sua missão é aplicar a lei a serviço da humanidade e da dignidade de todas as pessoas. E seguiu: “Eu sou nordestino com muito orgulho”.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraEntre as causas que defende, mencionou o combate à violência contra meninas e mulheres, a proteção da população LGBTQIAPN+, a igualdade de oportunidades para pessoas negras e a preservação dos biomas brasileiros.
Apesar da experiência, o magistrado fez questão de destacar que o episódio não representa o povo gaúcho, a quem descreveu como acolhedor e parceiro de lutas humanitárias.
Solidariedade
Ele também agradeceu as manifestações de solidariedade recebidas de amigos e instituições do Rio Grande do Sul, incluindo a presidência, a vice-presidência e a corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado (TJRS), além da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), que, segundo ele, contribuíram para que as providências legais fossem tomadas.
Ao explicar a decisão de tornar o caso público, Tojal afirmou que o pronunciamento atende a um dever ético e busca alertar a sociedade para que outras pessoas não passem pela mesma situação.
Para o magistrado, o respeito à dignidade humana deve ser inegociável. Ele também ressaltou a gravidade da xenofobia, definida como uma manifestação de ódio e intolerância e tipificada como crime no Brasil.

