
Manoela AlcântaraColunas

Juiz cobra PF sobre inquérito contra Bolsonaro por associar Lula a regime de Assad
Investigação envolve mensagem de Jair Bolsonaro (PL) que associou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao regime sírio que perseguiu LGBTQIA+
atualizado
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Um magistrado do Distrito Federal cobrou a Polícia Federal (PF) para que informe se foi instaurado inquérito para investigar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PL) ao regime de Bashar al-Assad, na Síria. Segundo denúncia, Bolsonaro teria disseminado por meio do WhatsApp imagem que vinculou Lula ao ex-ditador sírio Bashar al-Assad e à execução de pessoas LGBTQIA+.
Embora já exista investigação semelhante conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o juiz Luis Carlos de Miranda, da 8ª Vara Criminal de Brasília, quer saber se a PF abriu inquérito após pedido do então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, em julho do ano passado.
O magistrado pede as explicações à PF após ter solicitado detalhes do caso, sem que a PF tenha informado se instaurou o inquérito, conforme requerido pelo Ministério da Justiça. O juiz verificou ainda que não foi informado nem sequer um número processual dentro da Diretoria de Proteção à Pessoa (DPP).
Suposta fake news
A investigação atualmente em curso na PCDF foi aberta a partir de pedido do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT), em razão da suposta propagação de fake news por parte de Bolsonaro.
Segundo denúncia de um cidadão russo-brasileiro que mora em São Paulo, Bolsonaro teria divulgado, em seu canal de WhatsApp, conteúdo que vinculava Lula à morte de pessoas LGBTQIA+.
A postagem teria sido feita em 15 de janeiro do ano passado e associava o petista ao regime de Bashar al-Assad. O conteúdo não está mais disponível nos canais do ex-presidente, que está preso e cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
Regime Bashar al-Assad
O regime de Assad caiu em 8 de dezembro de 2024. O ditador, junto da família, fugiu para a Rússia após grupos rebeldes tomarem o controle da capital, Damasco.
Bashar al-Assad comandou a Síria de 2004 a 2024 e, durante o período, veículos de imprensa internacionais relataram que atos homossexuais foram criminalizados, com violência e perseguição contra pessoas gays.
