
Manoela AlcântaraColunas

Empresa que contratou cozinheira de Neymar pede sigilo em processo
Pedido cita “informações íntimas” e imagens da mansão do jogador em Mangaratiba, no Rio de Janeiro. Neymar é processo por cozinheira
atualizado
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A empresa que contratou a cozinheira que trabalhou na casa do atacante Neymar Jr. pediu que o processo apresentado pela ex-funcionária fosse colocado em segredo de Justiça devido a “informações íntimas” que podem revelar detalhes da mansão do atleta em Mangaratiba, no Rio de Janeiro.
O pedido foi apresentado em documento encaminhado ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região e sustenta que o conteúdo apresentado pelos advogados da cozinheira pode expor imagens da residência de Neymar.
Os representantes do atleta, da empresa e da cozinheira ficarão frente a frente em uma audiência marcada para maio para tentar um acordo, já que a trabalhadora pede R$ 262 mil — valor que inclui indenização por dano moral, despesas médicas e até pensão.
Conforme mostrou a coluna, a cozinheira processa Neymar e a empresa que a contratou para prestar serviços na residência principal do jogador, chamada Casa Hotel Portobello, além do condomínio ao lado, o Condomínio Portobello.
Segundo ela, chegou a cozinhar para até 150 pessoas em jornadas com média de 14 horas — em alguns dias, chegando a 16 horas.
O horário previsto em contrato era das 7h às 17h, de segunda a quinta-feira, e das 7h às 16h às sextas-feiras. Segundo a ex-funcionária, porém, que trabalhou no local de julho do ano passado a fevereiro deste ano, esse limite era frequentemente ultrapassado.
Entre as atribuições na casa de Neymar estavam preparar refeições — do café da manhã ao jantar — para o jogador, amigos e familiares do atacante, camisa 10 da Seleção Brasileira.
“Além da carga excessiva de trabalho, a reclamante sempre executou atividades que exigiam esforço físico intenso desde o início do contrato, carregando constantemente peças de carne com peso médio de 10 quilos, realizando controle de geladeiras, bem como carregando e descarregando compras do supermercado, com grande quantidade de sacolas pesadas, permanecendo longos períodos em pé durante toda a jornada”, dizem os advogados no documento encaminhado à Justiça.
Procurada, a assessoria de Neymar não quis se manifestar.
Esforço físico
Segundo a cozinheira, o esforço físico para carregar carnes e outros utensílios pesados na casa do jogador da Seleção Brasileira teria provocado problemas na coluna e inflamação no quadril. Ela afirma ter realizado consultas e exames médicos para diagnosticar as lesões e pede que Neymar lhe pague pensão.
Embora tivesse salário registrado de cerca de R$ 4 mil, a cozinheira afirma que recebia, em média, R$ 7,5 mil mensais com horas extras e adicionais. Segundo a ação, mesmo contratada para trabalhar apenas durante a semana, ela também teria desempenhado funções aos fins de semana, especialmente aos domingos.
“A reclamante não usufruiu regularmente do intervalo intrajornada. Durante todo o pacto laboral, a reclamante era obrigada pela reclamada a registrar o ponto relativo ao intervalo intrajornada, embora permanecesse em efetivo labor nesse período”, afirma a defesa da profissional na petição.
Nos termos do artigo 71 da CLT, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação de, no mínimo, uma hora para jornadas superiores a seis horas de trabalho.
Ao todo, a cozinheira pede que Neymar e a empresa terceirizada que a contratou para prestar serviços na mansão paguem R$ 262 mil, valor que inclui verbas rescisórias, FGTS e multa, pagamento de horas extras e intervalos, indenização por dano moral, além de despesas médicas e pensão.
Procurada, a assessoria de Neymar não quis se manifestar.
Mansão
Neymar é dono de duas mansões em Mangaratiba, sendo uma delas avaliada em R$ 28 milhões, com 5 mil metros quadrados, seis suítes, piscina, área de lazer e até um “puxadinho” com 10 suítes para acomodar os amigos. É nessa que a funcionária trabalhava.
A outra casa fica no condomínio Aero Rural e ficou conhecida por ter um lago artificial. O imóvel chegou a ser alvo de interdição pela Secretaria de Meio Ambiente de Mangaratiba. O atleta foi multado em R$ 16 milhões, mas conseguiu suspender o valor e acabou absolvido no caso.













