Diálogos no celular de Vorcaro mostram vazamentos pelo Bacen e Judiciário
Investigações da PF apontam que Vorcaro mantinha uma sofisticada rede de monitoramento e influência clandestina, municiada por vazamentos

Investigações da Polícia Federal (PF) revelaram que o banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, do Banco Master, mantinha uma sofisticada rede de monitoramento e influência clandestina, municiada por vazamentos de informações sigilosas vindas de dentro do Banco Central (Bacen) e do próprio Poder Judiciário.
As evidências foram obtidas a partir da análise técnica e descriptografia do aparelho celular apreendido com o investigado.
A gravidade das revelações embasou a recente decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que classificou a atuação do grupo como uma infiltração nas mais elevadas instâncias da República. O magistrado deu um prazo de 72 horas para que a PF identifique todos os envolvidos nos diálogos.
Conforme publicado pela coluna do Metrópoles, de Andreza Matais, mensagem enviada por WhatsApp cita duas autoridades da República: o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraMendonça busca informações complementares junto a PGR pois a suspeita é de que a mensagem com pedido de proteção tenha sido enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Alerta de prisão com “significativa antecedência”
A partir dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro ficou comprovado que Vorcaro soube de sua primeira ordem de prisão preventiva com “significativa antecedência”. Essa prisão inicial foi decretada pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal em 17 de novembro de 2025.
Devido ao vazamento prévio, Vorcaro foi detido naquele mesmo dia no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), no exato momento em que tentava embarcar em um voo com destino a Malta.
Posteriormente, embora aquela prisão tenha sido substituída por medidas cautelares pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), os diálogos provaram que o empresário continuou monitorando os passos das autoridades federais.
De acordo com o despacho do STF, o monitoramento ilegal feito pela organização criminosa ia muito além de processos judiciais penais. As mensagens interceptadas demonstraram que Vorcaro recebia informações privilegiadas sobre apurações em andamento no Bacen.
O empresário tinha ciência antecipada de procedimentos regulatórios e fiscalizações financeiras que poderiam ser prejudiciais aos seus negócios e que estavam na iminência de serem apreciadas tanto pelo Judiciário quanto pela diretoria colegiada do Bacen.
Munido dessas informações, os relatórios da PF indicam que Vorcaro tentava intervir diretamente nas decisões.




