
Manoela AlcântaraColunas

“Acharam que o corpo de Marielle seria descartável”, diz Anielle
Ministra Anielle Franco espera que o julgamento no STF sirva de exemplo para nenhum crime ficar impune no Brasil
atualizado
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A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou, nesta terça-feira (24/2), em entrevista antes do julgamento, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), dos acusados de mandar matar a ex-vereadora Marielle Franco, que este é um momento bastante difícil, mas que o julgamento serve para dar uma resposta ao Brasil e ao mundo.
O crime contra a vereadora ocorreu em março de 2018 e provocou comoção nacional. O julgamento será realizado em duas sessões, e os quatro ministros da Turma definirão se os cinco réus são culpados ou inocentes pelo assassinato de Marielle e de seu motorista, Anderson Gomes.
“Nenhum crime deveria ficar impune no Brasil. Essa resposta que pode sair daqui do STF é para a democracia. É para aquelas pessoas que acham que juntar política com milícia e, infelizmente, com pessoas que estavam ali para servir o país — e que possivelmente estavam armando contra a vida deles [das vítimas] —, é para que se sirva de exemplo para que nenhum crime mereça ficar impune. Acharam que o corpo da minha irmã seria um corpo descartável”, disse Anielle.
Serão julgados dentro da ação que analisa o plano para mandar executar Marielle:
- o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Domingos Brazão;
- o irmão dele e ex-deputado, Chiquinho Brazão;
- o delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa;
- o ex-major da polícia Militar Ronald Paulo de Alves Pereira; e
- Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão.
Domingos, Chiquinho, Rivaldo Barbosa e Ronald Paulo de Alves tornaram-se réus por duplo homicídio qualificado e pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, única sobrevivente do ataque ao carro da vereadora naquela noite de março de 2018.
O ex-assessor do TCE Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, responde, com os irmãos Brazão, pelo crime de organização criminosa.
Rito
Ao todo, mais de 30 advogados, além da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, pediram para acompanhar o julgamento dos supostos mandantes dos assassinatos de Marielle e Anderson no STF. A família de Marielle e de Anderson também estará presente, com espaço reservado na Corte.
O julgamento tem um rito de realização. Nesta terça-feira, quando começar, a sessão será aberta pelo presidente da Primeira Turma do STF, ministro Flávio Dino.
Na sequência, o relator, ministro Alexandre de Moraes, lê o relatório, que é uma espécie de resumo do caso.
Após o pronunciamento de Moraes, o vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho, terá 1 hora para sustentar a acusação da PGR. A fala pode se estender por mais 30 minutos, se necessário.
O assistente de acusação, advogado da vítima Fernanda Chaves, única sobrevivente do assassinato, falará por mais 1 hora.
Passada essa etapa, será aberto espaço para as sustentações orais dos advogados dos cinco réus. Cada um terá 60 minutos para defender o cliente perante os ministros da Primeira Turma.
Em seguida, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, apresenta seu voto. Na sequência, os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino se manifestam. Eles falarão se condenam ou absolvem os acusados e determinarão as penas.












































