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“Setor publicitário é revolucionário em crises”, diz Yascara Souza
Em entrevista, a CEO da Brado Comunicação salienta que o mercado nasceu e se consolidou no mundo diante de grandes momentos econômicos
atualizado
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A publicitária Yascara Souza tem 36 anos e há 10 abriu a Brado Comunicação. Do Brasil, a agência atende clientes em toda parte do mundo.
Apesar de ter ocupado o cargo de diretora criativa na empresa nos últimos anos, atualmente ela lidera a marca como CEO. “Atuo de forma mais estratégica com visão global sobre o negócio do cliente e coordeno os times nas atuações focais. Conecto pessoas capazes de gerar excelentes resultados aos clientes”, explica. Confira, a seguir, entrevista com a executiva.
Ao longo da sua carreira, qual você diria que foi seu maior ou maiores desafios profissionais?
Começar. Sem dúvida, o maior desafio foi abrir a agência Brado. Lançamos em 2009, um ano após a grande crise econômica. O nosso segmento tinha acabado de esfriar: verbas de comunicação cortadas, varejo retraído e mercado todo desanimado. Talvez se eu tivesse a maturidade de hoje não arriscaria, mas prevaleceu a coragem e o propósito.
No primeiro ano, o salário dos sócios era de R$ 80 – e foi assim por muito tempo. Esse salário é algo que sempre lembro. Costumava falar em tom de brincadeira: “quando formos ricos, e os outros disserem ‘para eles foi fácil’, a vai gente lembrar desse salário”.
Como você enxerga a publicidade hoje?
Um segmento com oportunidade de fazer uma grande revolução. Na história, o mercado publicitário sempre se movimentou, preferencialmente, com o poder da criatividade persuasiva, que vende. A publicidade nasceu e se consolidou em grandes momentos econômicos mundiais (colonizações, guerras, revolução industrial, etc.). Nos momentos de crise, sofreu economicamente e foi questionada quanto sua eficácia.
Um ciclo histórico que deveríamos mudar para um novo cenário. A criatividade é uma ferramenta muito importante. É a pedra filosofal da propaganda, mas não a única. Como agência, precisamos associar Inteligência Artificial (AI) e análise de dados para tomada de decisões humanas. Existem estudos que mostram que somos impactados por mais de 5 mil marcas por dia e que a cada 100 anúncios, 92 são ignorados. Qual a utilidade de uma peça criativa muito bem feita, se a pessoa do lado de lá não tiver interesse em consumir aquela informação? Precisamos entender mais para saber onde podemos gerar ou atender uma demanda.
Hoje o acesso a dados confiáveis, de uma forma geral, é restrito, demorado e caro. Embora tecnologias diversas estejam à disposição, ainda é complexo entender de forma assertiva o movimento do consumidor. Quando olhamos para as diversas regiões do Brasil, se torna um grande desafio. As mudanças que o 5G irá trazer ao mercado torna esse ponto ainda mais diligente para personalizar cada vez mais a experiência com o consumidor final.
Como se destacar no mercado atualmente?
O nosso foco hoje está pautado em quatro principais pilares: a velocidade em que conseguimos implementar uma inovação ou mesmo uma ação; o relacionamento próximo para oferta de produto ou serviço personalizado; execução regionalizada com know how em todos os estados do Centro-Oeste e Norte do Brasil, o que dá agilidade e, muitas vezes, gera economia às maiores empresas; e manter sempre um time plural. Acreditamos que pessoas com visões de mundo diferentes, desde lugares diferentes formam, juntos, um resultado criativo muito mais rico.
Quais principais tendências você enxerga na comunicação/publicidade?
Busca no Google, assistentes de voz, hackvertising, experiências participativas e confiáveis, além de gamificação. Em pouco tempo vejo todos completamente inseridos em planejamento de compras de advertising.
