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Marcas devem buscar consolidar rituais em 2021, avaliam especialistas
Raquel Messias, da Lew’Lara\TBWA, e Paola Muller, da Brivia, falam do resgate pelo familiar e simples em meio à pandemia
atualizado
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Não é de hoje que se observa na comunicação um movimento de resgaste pelo familiar e pelo estável toda vez que grandes mudanças acontecem. Quanto mais nos sentimos inseguros, mais buscamos a sensação de controle. É aí que rituais comportamentais ficam mais presentes na vida das pessoas.
Na pandemia, várias marcas exploraram as oportunidades a partir dessa tendência. Afinal, é de conhecimento do mercado que rituais ajudam a criar ligações emocionais, trazendo mais conforto e participação.
Segundo Raquel Messias, chief Strategy Officer da Lew’Lara\TBWA, um mundo exausto do racional começa a se atentar para questões voltadas ao lado emocional. “É importante que as marcas estejam atentas em identificar os rituais que as pessoas adotam com os seus produtos ou serviços e o tipo de experiência que eles podem proporcionar para trazer mais bem-estar para o dia a dia dos consumidores”, diz. A especialista, inclusive, reforça que essa é uma das tendências para 2021 observadas pela Backslash, central de inteligência global da TBWA.
Naturalmente, a pandemia ressignificou muitas coisas, especialmente em relação ao consumo. Para Paola Muller, head de estratégia da Brivia, o ritual era uma espécie de demarcação que focava em eventos coletivos como sair para celebrar, viajar nas férias, entre outros. Agora, passou a ser algo mais individual.
Com o isolamento social, ela avalia que as pessoas começaram a olhar para as coisas simples do dia a dia e transformá-las em rituais. Foi o caso de marcas de produtos faciais que exploraram a rotina com a pele, como a Sallve, que convidou o consumidor a sair do automático e transformar os momentos de autocuidado.
“As marcas estão tentando entender onde se encaixam nesta nova rotina”, explica Paola. Para ela, a Sallve fez isso muito bem ao desmistificar os rituais de cuidado com a pele: não precisa ter um super ambiente ou uma preparação detalhada, basta você e o produto.
O momento atual pede um olhar mais empático com o consumidor. “Tudo isso faz parte de um movimento que vimos se fortalecer agora, de mais humanização das marcas”, pontua Paola. É também o momento ideal de trabalhar com o senso de comunidade dos consumidores. “Diante do contexto que vivemos hoje, as pessoas buscam ainda mais propósito e pertencimento em comunidades dedicadas a gerar mudanças no mundo, por isso é importante que as marcas promovam plataformas onde essas causas são ampliadas e esses pontos de vista conquistam apoio”, conclui Raquel.
