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Karol Conká: “BBB alterou minha relação com as marcas. Visibilidade aumentou”

Em entrevista ao Metrópoles, rapper comenta também os temas de saúde mental e a participação dos negros na publicidade

atualizado 15/09/2021 8:37

KAROL CONKÁHBO/Divulgação

A primeira parceria comercial da rapper e compositora Karol Conká após a saída do 21º Big Brother Brasil foi com a HBO Max para anunciar o lançamento do filme “O Esquadrão Suicida”. Circulando nas redes sociais e nos canais da plataforma de streaming desde domingo (12/9), a atuação ao lado da vilã Cuca figurou, com mais de 1,4 milhões views, entre os trending topics do Twitter. A hashtag #Mamacita, em alusão ao nome do comercial, esteve entre os tópicos mais discutidos entre os internautas.

“Além de gostar do filme, adorei o caráter bem-humorado do roteiro. A personagem, apesar de inspirada na personagem da Viola Davis, se encaixa perfeitamente à minha personalidade e aos bordões que criei de forma espontânea ou que se tornaram conhecidos durante minha passagem pelo Big Brother Brasil. Foi uma maneira leve e autêntica de  fazer menção a este momento difícil da minha trajetória, mas trazendo um frescor, um olhar para o futuro. Gostei da perspicácia no roteiro. Fui muito bem recebida por toda a equipe e o clima no set foi extrovertido, demos boas risadas”, conta Conká em entrevista exclusiva ao Metrópoles, justificando o motivo de ter aceitado a parceria com a HBO Max.

Após turbulenta temporada no reality show, com recorde de rejeição (99,17%), a cantora protagonizou uma minissérie sobre a própria trajetória. “A vida depois do tombo”, exibido pela Globo Play, teve recorde de audiência na plataforma.

 

Desde então, a rapper passou a tratar publicamente do tema da saúde mental. Em parceria com a agência de conteúdo com foco em influência e marcas pessoas SUBA, lançou o primeiro projeto de conteúdo 100% próprio no IGTV: o Vem K. A temporada sobre cuidado psíquico foi veiculada em seis episódios, entre junho e julho. A estratégia se mostrou assertiva, alcançando mais de 10 milhões de usuários, 1,1 milhão de curtidas, mais de 70 mil novos seguidores e mais de 25 mil comentários.

A próxima campanha da artista também será voltada à conscientização sobre o assunto.  

Confira, a seguir, a íntegra da entrevista exclusiva ao Metrópoles:


Você está em um novo estágio de oportunidade para as marcas? Por quê?  

Minha passagem pelo BBB, e o processo de auto-revisão e auto-conhecimento que tenho vivido, desde então, seguramente alterou minha relação com as marcas e eventuais parcerias comerciais que eu venha a fazer. Hoje, tudo o que faço repercute mais publicamente para o bem e para o mal e, com esse aumento de visibilidade, cresce minha responsabilidade sobre marcas e produtos com os quais me associo. A questão da saúde mental e do cuidado psíquico se tornaram temas aos quais sou associada, então àquela Karol Conká empoderada, assertiva e sarcástica pré-BBB somou-se uma Karol mais reflexiva, consciente e cuidadosa consigo e com o entorno, o que, na minha visão, só amplia a gama de oportunidades de parcerias em projetos comerciais que prezam por esses valores também.

Como você define este momento de pós-cancelamento e seu processo de reconstrução? 

Decidi cancelar o cancelamento quando entendi que as redes sociais operam numa lógica irreal, binária, de julgamentos sumários que não dão conta da complexidade das experiências e de nossa identidade.

Ainda estou vivendo esse processo de reconstrução e de revisão de certas condutas. Foi muito importante ter o acolhimento de familiares, amigos, minha equipe e a ajuda de profissionais da  área de saúde mental.

Estamos no Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a depressão e os cuidados com a saúde mental. Como você acha que as empresas podem tratar desse tema com o consumidor?

Esse assunto é muito delicado e extremamente necessário, e não deveria estar restrito ao mês  de setembro, mas ser tratado durante o ano todo. Acredito que as empresas devem incentivar  o acolhimento e a escuta, fazendo uma comunicação por um lado mais prática, oferecendo dicas e informações. Além disso, precisam ser mais empáticas, capazes de despertar um novo olhar sobre as  pessoas que estão feridas e que estão ferindo também. 

Recentemente, publicamos uma pesquisa que mostra que a presença negra aumentou 4% nas propagandas em redes sociais no Brasil. Apesar de ter sido o único grupo que cresceu de um ano para o outro, o estudo conclui que a população negra é sub-representada na comunicação. O que você acha desse comportamento? 

Esse dado é significativo e pode ser olhado tanto pelo lado positivo quanto pelo negativo,  pois apesar do aumento da presença negra, ele evidencia o grande vácuo ainda não ocupado  pela população que, estatisticamente, é a maioria da população. Esse espaço não ocupado por nós, evidentemente, está relacionado ao racismo estrutural. É muito comum ver marcas enaltecendo a diversidade na comunicação, enquanto dentro dos escritórios o padrão da hegemonia branca e masculina prevalece. A própria composição pouco diversa das equipes de marketing, muitas vezes sem sensibilidade ou visão estratégica para a questão racial, acaba  interferindo nas escolhas dos protagonistas das campanhas/ações de comunicação. Isso acaba limitando possibilidades e desperdiçando oportunidades de ganhos para as marcas, assim como de transformação para a sociedade. 

 

Suba 

Desde 2017, o time da SUBA atende a Karol Conká analisando propostas e oportunidades comerciais, posicionamento de marca pessoal, definindo territórios temáticos, marcas e parcerias aspiracionais.

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