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Como incentivar empresas a valorizarem o potencial de ter filhos

Cofundadora da consultoria Filhos no Currículo, Camila Antunes encoraja a criação de ambientes cada vez mais pró-família

atualizado 12/11/2021 13:31

Divulgação

Trabalho remoto, autonomia e flexibilidade de jornada eram desejos antigos de profissionais com filhos que queriam ter mais tempo para desempenhar funções igualmente importantes. Com o início da pandemia, o isolamento acelerou mudanças sem precedentes nas relações, impactando as pessoas nas mais diversas áreas e formas.

Pais e mães que antes não viam seus filhos acordados, passaram a conviver em tempo integral com eles, não só garantindo a segurança emocional, como participando de tarefas escolares e todas as outras demandas que envolvem cuidar e desenvolver uma criança e um adolescente. Não há como generalizar a experiência, pois cada família é única e não estamos todos no mesmo barco. Mas uma coisa fica cada vez mais evidente: filhos são potências na vida dos pais.

Segundo uma pesquisa conduzida pela Filhos no Currículo, em parceria com o Movimento Mulher 360, no início da pandemia, 98% dos pais e mães que estão no mercado de trabalho percebem habilidades sendo desenvolvidas no exercício diário da criação dos filhos: paciência, resiliência, criatividade, empatia e liderança estão nessa lista.

Nosso propósito, desde 2018, é incentivar as empresas a incluírem programas de parentalidade corporativos para sustentar essa pauta internamente a partir de treinamentos, jornadas digitais de capacitação, informação e acolhimento para pais, mães, lideranças e gestores de diversidade. E esse movimento já está acontecendo dentro de empresas como Grupo Raia Drogasil, Banco BV, Ambev, B3, entre outras.

Debater sobre esse assunto nunca foi tão urgente quanto nesses últimos dois anos. Pensando nisso, decidimos vestir o LinkedIn e o Instagram com a campanha #MeuFilhoNoCurrículo, aproveitando o mês das crianças para convidar pais e mães a relatarem como seus filhos os tornaram melhores profissionais.

O movimento começou a ser compartilhado por empresas parceiras e um time de embaixadores, formado por lideranças e pessoas de influência, que propagaram a imagem oficial assumindo: Eu tenho meu filho no currículo! Eles “desafiaram” suas equipes e colegas a fazerem o mesmo e, em um efeito cascata, foram evidenciados centenas de relatos e de histórias que só comprovam a urgência de desconstruirmos logo os vieses associados ao tema ‘filhos’ e ‘carreira’ no mercado de trabalho.

Levar essa discussão para uma rede social corporativa, como o LinkedIn, é mostrar na prática que estamos no caminho certo. A campanha nos primeiros dias já contava com a interação de 40 mil pessoas nas redes, e com o apoio de mais de 20 organizações, tais como Gerdau, Cielo, Magalu, Cosan, Movimento Mulher 360, entre outros.

Para além de uma campanha nas redes, existem outras formas práticas de ‘colocar os filhos no currículo’, tais como: sinalizar no seu histórico profissional eventuais licenças ou pausas na carreira para dedicação aos filhos – períodos que não deveriam representar lacunas na sua trajetória profissional. Outra proposta é complementar a descrição do perfil profissional, seja no currículo ou nas redes sociais, honrando esse cargo de pai, mãe ou similares.

Pouco a pouco, algo que parecia totalmente inalcançável, pode virar algo mais naturalizado. Basta um esforço coletivo de famílias e gestores para revolucionarem as culturas internas um passo de cada vez. Viver no tempo do “novo normal” é uma oportunidade para que os funcionários proponham junto de suas empresas grupos de escuta, movimentos de inclusão e mais abertura para propor soluções. Acreditamos que a cultura é feita de pessoas, então o indivíduo dentro da organização consegue impactar e influenciar o ambiente em que vive.

Camila Antunes é cofundadora e especialista da Filhos no Currículo desde 2018. É advogada, educadora parental e palestrante com especializações em inteligência emocional e parentalidade.

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