
Lucas PasinColunas

Ex-chefe da Globo expõe bastidores e denuncia decisões da emissora
Jornalista, ex-funcionário da TV Globo, detalha pedido de demissão e aponta problemas internos, corte de extras e falhas de comunicação
atualizado
Compartilhar notícia

Um caso de demissão na TV Globo tem movimentado os bastidores do jornalisto e gerado certa polêmica. Tudo isso porque, Fabrício Marta, até então funcionário da emissora, decidiu deixar o cargo de Chefia de Produção da Rede pouco depois de ser promovido à função em janeiro
O movimento aconteceu em pleno Carnaval, quando o jornalista passou mal e precisou ser internado às pressas. Nos bastidores, a saída chamou atenção por envolver um posto estratégico, responsável por conectar a redação do Rio de Janeiro às demais praças da Globo.
Nas redes sociais, Fabrício tratou de colocar a versão dele na roda. Disse que o pedido de demissão foi feito ainda do hospital, por mensagem aos chefes, e garantiu que a decisão não teve relação com os infartos. Segundo ele, a saída veio após discordâncias internas que deixaram de fazer sentido com sua trajetória.
O jornalista afirmou que sua passagem pela Globo foi encerrada após decisões que considera equivocadas e reforçou que não compactua com atitudes que julga incoerentes.
“Foram dois infartos: um sem cura e outro tratável, ao sabor da resiliência. (…) O pedido foi feito aos meus chefes (por WhatsApp) ainda no hospital e não está atrelado aos infartos, mas a conjunturas internas que não ornavam mais com quem eu sou. Minha missão, na Globo, foi encerrada por escolhas mal dimensionadas”, revelou.
Bastidores expostos
Depois disso, o ex-Globo passou a expor problemas nos bastidores da emissora, citando decisões editoriais questionadas e redução no pagamento de horas extras. Fabrício descreveu o que chamou de “alívio” após a saída, citando o fim de grupos de WhatsApp, excesso de e-mails e reuniões sem resultado.
Ele também mencionou falhas de comunicação, ligações sem objetivo e problemas de convivência no ambiente de trabalho. Segundo ele, deixar esse cenário para trás representou, nas palavras dele, um reencontro com a própria paz.
“Menos sustos por falta de comunicação; menos mal humor de gente amarga; menos de dezenas de ligações non sense; menos energia de gente incompetente; menos ‘bom dia’, ‘boa tarde’ e ‘boa noite’ cuspidos no lixo; zero fogueiras de egos e vaidades. Menos muitos plantões antecipados. Tudo isso menos tudo isso é paz”, escreveu.
Recado indigesto
Em outro relato, Fabrício afirmou que foi encarregado de comunicar o corte imediato de horas extras de produtores, decisão que, segundo ele, já vinha da antiga direção de Jornalismo. Ele contou que precisou repassar a mudança diretamente à equipe, incluindo casos de profissionais que dependiam desse valor para despesas pessoais, como estudos na família.
O jornalista também questionou a ausência de um comunicado formal e criticou a condução da medida, apontando falta de critério na avaliação individual dos casos e problemas na forma como decisões internas eram executadas.
“Esse mal ajambrado foi lavrado e validado pela antiga direção regional de Jornalismo, mas coube a mim (o então secretário de luxo), anunciar a nova condição salarial da garotada. (…) Deixar a Globo é deixar um sistema adoecido pela falta de sensibilidade e nutrido pela malandragem!”, disparou.
O “santuário” do JN
Em mais um episódio, Fabrício compartilhou uma foto da redação do Jornal Nacional, no Rio, destacando uma placa que restringia o acesso à bancada dos apresentadores. Segundo ele, a sinalização surgiu após um posicionamento de William Bonner sobre limitar a circulação de visitantes no local, tratado como um “santuário”. O ex-Globo criticou a medida e ironizou a forma como a decisão foi comunicada dentro da redação.
“Bonner proclamou, dias antes de deixar o JN, que o cenário do telejornal era um “santuário” e exigiu providências quanto o acesso de visitantes. No dia seguinte, brotou essa placa medonha e antipática na redação. A marca de um cara que tinha tudo pra ser Deus resumida a um recado de síndico decadente”, denunicou.
Debate sobre diversidade
Fabrício resgatou ainda o programa de estágio da Globo para criticar mudanças recentes no recrutamento da emissora. Segundo ele, o modelo anterior buscava talentos de diferentes origens e ajudou a formar profissionais que chegaram a cargos de chefia.
O jornalista afirmou que a nova parceria com a PUC-Rio para seleção de estagiários reduz a diversidade do processo, ao limitar o acesso de candidatos de outras regiões e realidades, e questionou o impacto dessa mudança no perfil dos novos profissionais.
“O Estagiar cansou de pescar estagiários na PUC, porque eram tão maravilhosos quanto os cotistas da Uerj, UFRJ, UFF, UFRRJ e por aí vai. Os tempos mudam, mas não há nota em pingo d’água. Sabe aquela tal diversidade? Pois é!”, escreveu.
Orações para Roberto Marinho
Fabrício contou que, após oficializar sua saída, foi à Igreja de São José, na Lagoa, Zona Sul do Rio (perto da sede da TV Globo), onde disse ter rezado uma missa em homenagem a Roberto Marinho.
O jornalista afirmou que guarda gratidão ao fundador da Globo e reconheceu a influência dele em sua trajetória profissional.
“Quando fiz a minha homologação, em seguida rezei uma missa, na Igreja de São José, na Lagoa, em intenção ao Roberto Marinho. Sou grato. Muito grato. Não fosse ele, eu não seria quem sou hoje”, afirmou.








