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Estudo sugere que expectativa de vida no DF cairá 3,68 anos após Covid

Publicação ainda não foi revisada e aponta que Nordeste, mesmo com indicadores sociais, terá queda menor por ter adotado medidas protetivas

atualizado 11/04/2021 15:33

Eixão do lazerRafaela Felicciano/Metrópoles

Um estudo da Universidade de Harvard divulgada pelo site MedRxiv sugere que a expectativa de vida será reduzida em 3,68 anos após o Distrito Federal passar pela pandemia da Covid-19. O mesmo ensaio estima uma redução de 1,94 anos do índice no contexto nacional, com uma queda maior para homens (1,98 anos) em comparação com mulheres (1,82 anos).

O documento intitulado “Redução da expectativa de vida para 2020 no Brasil após Covid-19” (Reduction in the 2020 Life Expectancy in Brazil after Covid-19) é uma pré-impressão e ainda não revisada e, por isso, não foi publicado em nenhuma revista científica até o momento.

O material é assinado por Marcia Castro, Sun Kim e Susie Gurzenda, do Departamento de Saúde Global e População, da Escola de Saúde Pública de Harvard; Cassio M. Turra, do Departamento de Demografia da Universidade Federal de Minas Gerais; Theresa Andrasfay, da Escola de Gerontologia da Universidade do Sul da Califórnia e Noreen Goldman, do Escritório de Pesquisa Populacional, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.

“O Brasil possui o segundo maior número de mortes por Covid-19 em todo o mundo. Usamos dados sobre mortes relatadas para medir e comparar o número de mortes entre os estados de uma perspectiva demográfica. Estimamos um declínio na expectativa de vida ao nascer em 2020 de 1,94 anos, resultando em um nível de mortalidade não visto desde 2013”, registram os estudiosos.

Medidas protetivas

Até então, com dados de 2019, a estimativa vital média do brasiliense era de 78,85 anos. A informação é da Tábua Completa de Mortalidade para o Brasil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado no ano passado. Uma pessoa nascida no Brasil em 2019 tinha expectativa de viver, em média, até os 76,6 anos.

“A redução da expectativa de vida aos 65 anos foi de 1,58 anos, colocando o Brasil de volta aos níveis de 2009. O declínio foi maior para os homens, ampliando em 2,3% e 5,4% a diferença entre homens e mulheres na expectativa de vida ao nascer e aos 65 anos, respectivamente. Entre os estados, o Amazonas perdeu 59,6% das melhorias na expectativa de vida ao nascer desde 2000”, completam.

De acordo com a mostra, o resultado é 72% maior que o declínio estimado para os Estados Unidos, por exemplo. “O Distrito Federal teve uma diminuição estimada na expectativa de vida ao nascer de 3,68 anos, a maior queda absoluta entre todos os estados. No geral, as quedas foram maiores na região Norte, liderada pelo Amapá (3,62 anos), Roraima (3,43 anos) e Amazonas (3,28 anos)”, sublinham.

Em média, os declínios maiores na expectativa de vida foram observados no Norte e menores no Regiões Sul e Nordeste.

“Os Estados das regiões Norte e Nordeste têm os piores indicadores de desigualdade de renda, pobreza, acesso à infraestrutura e disponibilidade de médicos e leitos hospitalares. No Nordeste, porém, as quedas estimadas na expectativa de vida são menor. Os governadores dos estados daquela região impuseram as mais rigorosas medidas de distanciamento físico, em oposição direta às recomendações do presidente”, escrevem.

Veja o estudo em inglês:

2021.04.06.21255013v1.full by Metropoles on Scribd

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