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Aos 21 anos, jovem surfa na onda reacionária para fisgar conservadores

Mesmo sem aval do partido, Victor Jansen se define como "pré-candidato mais jovem do DF" para surfar nas polêmicas defendidas por radicais

atualizado 05/07/2022 18:56

Reprodução / Twitter

Se apresentando como o “pré-candidato mais jovem” do Distrito Federal, Victor Jansen investe em pautas reacionárias para tenta fisgar a atenção de conservadores extremistas.

Pelas redes sociais, o estudante de direito, de 21 anos, foca em discursos contra o público LGBTQIA+, mas não perde de vista outras agendas de costumes, como a proibição do aborto e o não reconhecimento da transexualidade (leia a entrevista abaixo).

Mesmo sem o aval do Republicanos, partido onde milita atualmente, Jansen trabalha para conquistar uma vaga na disputa à Câmara Legislativa (CLDF). Oficialmente, o partido afirma que o universitário não está na nominata aprovada internamente.

Apesar disso, o estudante segue a rotina de levantar temas polêmicos – se não pelos votos, que seja, ao menos, pelos likes que pretende arrebanhar na extrema direita.

Um dos atos mais recentes foi festejar a decisão – já revista – da juíza que proibiu o impedimento da gestação de uma menina estuprada aos 11 anos.

“Totalmente correta. É bom a gente entender que estamos falando de duas pessoas: da criança e do bebê que está naquela barriga. Matar um inocente não vai diminuir o trauma daquela menina”, disparou. Esse vídeo conquistou mais de 400 curtidas no TikTok.

Victor Jansen também dedica o tempo para mirar contra a pauta feminista, além de criticar avanços na legislação que beneficiam a diversidade, como o uso do nome social em documentos e da conscientização contra o preconceito.

Numa das postagem, ataca a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que considera crime qualquer tipo de preconceito contra a comunidade LGBTQIA+ e diz que “feminismo mata”, ao mencionar o caso do menino Juan, esquartejado pela própria mãe que vivia uma relação com outra mulher.

“A Esplanada inteira está sendo pintada com as cores da bandeira LGBT. Desde quando patrimônio público serve pra divulgação da ideologia de uma minoria [sic]? Essa semana vou atrás de quem for necessário pra gente pintar esses negócios de outra cor. Brasília não é cidade de palhaço”, escreveu no Twitter na véspera da Parada do Orgulho, que ocorreu no domingo (3/7), em Brasília.

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Pauta LGBTQIA+

Antes, Jansen já havia criticado o deputado distrital Fábio Felix (PSol), primeiro parlamentar assumidamente gay a ocupar uma cadeira na Câmara Legislativa, pela bandeira em favor das políticas pela diversidade.

“É inaceitável que o dinheiro público dos brasilienses seja destinado para causas do ativismo LGBT, como tem sido feito por um determinado deputado distrital. Essa farra irá acabar, só digo isso!”, ameaçou.

Pelos perfis que mantém nas redes sociais, Victor ostenta fotos com o presidente Jair Bolsonaro (PL), mas também compartilha posicionamentos de aliados do atual governo, como o secretário Nacional de Cultura, Mário Frias, e as deputadas federais Carla Zambelli (PL-SP) e Bia Kicis (PL-DF).

O que diz o ativista?

Procurado pela reportagem, Victor Jansen confirmou que defende a pauta de costumes. Evangélico, o estudante de direito diz que, “numa democracia, o que tem que prevalecer é a vontade de uma maioria”.

“Meu discurso fala muito com o público conservador e cristão. Nunca pregamos ódio contra homossexual, nunca incentivamos a violência contra esse público. Eu fui atacado por um grupo de feministas na Esplanada dos Ministérios e ninguém fala sobre isso”, alega.

Sobre as pinturas temporárias no centro de Brasília para conscientizar a população contra os números alarmantes de violência contra a população LGBTQIA+, Victor Jansen minimiza a causa.

“Quando você coloca um verde e amarelo, representa todo mundo. Por que a maioria tem que se curvar a uma minoria e todo mundo aceitar isso? Por que existir um banheiro para os dois gêneros? Por que a gente tem que ser a favor disso? Eu sou contra. Isso tudo é um absurdo”, continuou.

O jovem universitário também disse estar tranquilo acerca da possibilidade de não conquistar uma legenda para disputar a Câmara Legislativa em outubro deste ano e que seguirá com as publicações nas redes sociais.

“Na verdade, a gente já está trabalhando. O fato é a gente criar um movimento, que já existe, de falar o que está realmente no coração das pessoas. Se tiver candidatura ou não, não tem problema. Nosso objetivo é deixar levantada essa bandeira conservadora”, reafirmou.

“Existe uma minoria que quer que uma maioria se curve a eles e isso é inadmissível. Eles querem privilégios e não direitos iguais. Numa democracia, o que vale é maioria e, hoje, em Brasília, a maioria é conservadora. Não estou falando em perda de direitos ao público LGBT, estou falando do espaço que eles realmente têm”.

Sem legenda

Acionado pelo Metrópoles, o diretório do Republicanos no Distrito Federal confirmou que Victor Jansen não figura entre os pré-candidatos já aprovados pelos militantes partidários.

Também procurado, por aparecer em fotos ao lado do universitário, o deputado federal Júlio César Ribeiro afirmou que o registro ocorreu durante “uma visita apenas” ao gabinete do parlamentar.

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