Por Ilca Maria Estevão, Rebeca Ligabue, Hebert Madeira e Sabrina Pessoa

Versace veta uso de couro de canguru após incêndios na Austrália

Em meio às queimadas que tomam o país, a grife italiana se manifestou e baniu o uso da matéria-prima nas próximas coleções

atualizado 17/01/2020 12:33

Daniel Osterkamp via Getty Images

Desde o início do pior incêndio já visto na Austrália, em novembro de 2019, marcas de moda se mobilizaram para ajudar as vítimas. Além de o ano passado ter sido o ano mais quente na região, o aquecimento global, somado a fenômenos climáticos locais, resultou no fogo que atingiu milhões de hectares. Em meio ao problema ambiental e após ser pressionada por ativistas, a Versace se pronunciou e baniu o uso de couro de canguru nas próximas coleções da etiqueta italiana. 

Até o momento, mais de 27 pessoas e 1 bilhão de animais morreram. Cerca de duas mil casas foram destruídas e milhares de australianos foram obrigados a deixarem as suas cidades. Mais de 100 mil quilômetros quadrados foram consumidos pelas chamas.

A intensidade do fogo nos últimos meses é resultado do aumento das temperaturas no país. O aquecimento global e todas as atividades humanas que geram impactos ambientais são responsáveis pelo desastre. 

Além da ajuda financeira vinda de autoridades e organizações locais para somar os esforços no combate às queimadas, famosos e etiquetas de moda se uniram à rede de apoio. Agora, a Versace também tomou uma atitude. 

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Bella Hadid no desfile Versace outono/inverno 2019

 

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A Italiana afirmou que a coleção de outono/inverno 2019 não tinha couro de canguru, apenas pele fake

 

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O desfile da etiqueta sempre completa o calendário do Milão Fashion Week

 

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A diretora criativa e CEO Donatella Versace foi pressionada por ativistas ambientais

 

A etiqueta italiana proibiu o uso de pele de canguru nas próximas coleções e em produtos de luxo que recebem a matéria-prima. O posicionamento da Versace veio em resposta a um levantamento do grupo LAV, organização que luta contra a exploração de animais.    

Em outubro de 2019, a LAV reuniu dados e afirmou que mais de 2,3 milhões de cangurus são mortos na Austrália anualmente para fins comerciais. A maior parte do couro dos mamíferos é destinada às etiquetas de luxo italianas. Com as queimadas na região, a campanha #SaveKangaroos recebeu novos ativistas.

A boa notícia foi enviada para a LAV diretamente da Itália. Por meio de um e-mail, a Versace confirmou a proibição definitiva do couro de canguru.

“Nós nos correspondemos com a Versace por e-mail e eles confirmaram que, em 2019, pararam de usar a pele de canguru. Comemoramos isso como um sinal de responsabilidade, hoje mais do que nunca. Os incêndios que estão devastando a Austrália aumentam os massacres da caça, com consequências dramáticas para a população de cangurus”, anunciou Simone Pavesi, representante da LAV, em comunicado oficial. 

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Em meados de 2018, a Versace vetou o uso de pele nas coleções. Na foto, uma modelo risca as passarelas em Paris, em 2001

 

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Também em 2001, a Versace desfilou casaco de pelo com manchas

 

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Linda Evangelista riscando as passarelas da Versace em 1996 com casaco de pele

 

Michel Arnaud/CORBIS/Corbis via Getty Images
A Supermodel Naomi Campbell vestiu jaqueta com gola em pelo para desfile da etiqueta italiana em 1996

 

A grife italiana ainda não se posicionou oficialmente. “Não temos uma declaração oficial sobre esse assunto, mas confirmamos a interrupção definitiva do uso de couro de canguru a partir das coleções de 2019”, disse a Versace ao portal The Guardian.

Em meados de 2018, a marca de luxo italiana proibiu o uso de pelos nas coleções. Apesar de fazer parte do estilo das peças da Versace, a diretora criativa afirmou que não se sentia mais confortável em usar a matéria-prima nos produtos da etiqueta.   

“Pele? Estou fora. Não quero matar animais para fazer moda. Não parece certo.” 

Donatella Versace, em entrevista à revista Economist’s 1843.

Além de ser exportado em massa para as marcas italianas, o couro de canguru ainda é usado por algumas etiquetas esportivas, principalmente na confecção de bolsas, jaquetas e chuteiras de futebol. Adidas, Nike e Puma estão na lista.

 

Colaborou Sabrina Pessoa

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