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Vai, Brasa: Nike é poupada de ataques, designer vira “bode expiatório”
Polêmica do uniforme da Seleção escala para ataques pessoais à designer Rachel Denti, enquanto CBF recua e Nike se esconde
atualizado
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A polêmica em torno do uniforme da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 resultou em críticas direcionadas a diversos alvos, mas os ataques pessoais e de caráter se concentraram à designer Rachel Denti, representante da Nike que apresentou os novos kits à imprensa. Nas redes sociais, a profissional teve o papel de “bode expiatório” por elementos como o “Vai, Brasa”, criticada frase apresentada como parte da camiseta, fruto do trabalho de centenas de funcionários da Nike, uma das maiores marcas de moda no mundo.
Vem entender!

Reações ao uniforme
Após a repercussão negativa do uniforme do Brasil para a Copa do Mundo, a designer Rachel Denti se posicionou publicamente sobre a série de críticas e ataques pessoais que vem sofrendo. A profissional destacou que não vê problema em opiniões divergentes sobre o uniforme. Segundo ela, lidar com reações intensas do público já faz parte da rotina de quem trabalha há anos com desenvolvimento de produto na marca.
Ataques pessoais
Em paralelo, Rachel reforçou que o projeto não é autoral, mas resultado de um processo coletivo dentro da Nike, em um time composto por “centenas de pessoas”. Mesmo assim, as críticas se concentraram em ataques a ela, até mesmo nos comentários de seu perfil pessoal no Instagram.

No posicionamento, Rachel relatou que os ataques extrapolaram o campo da moda e do esporte. Ela apontou que muitos comentários partiram de suposições sobre sua aparência e identidade, colocando em dúvida seu conhecimento sobre futebol.
“Nem todo homem hétero gosta de futebol, assim como uma mulher com a minha cara pode gostar. As pessoas imediatamente inferiram que eu não entendo nada de futebol”, compartilhou.
Em sequência, a profissional afirmou que toda sua família é “doente” pelo Flamengo, e que não acompanhar futebol nunca foi uma opção em sua vida. Além disso, comparou o termo “Brasa” a Mengo, Flu, Vascão, Fogão e Timão, entre outros apelidos dados a equipes nacionais.
Em uma carta aberta, a diretora criativa Carol Saravalli viralizou com uma publicação na qual relacionou os ataques ao gênero e à aparência de Rachel Denti:
“Imagina… uma mulher de mini franja, com cara de feminista, sendo elogiada nessa sociedade? Você já sabia da bomba e assumiu corajosamente”, afirmou.

CBF culpou a Nike
Após diversas críticas ao novo uniforme do Brasil para a Copa do Mundo de 2026, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) optou por retirar a polêmica palavra “Brasa” dos uniformes da Seleção. O anúncio foi feito pelo presidente da CBF, Samir Xaud, na quinta-feira (26/3). Na ocasião, ele culpou a Nike, marca que assina o design, afirmando que a inserção não passava de uma “ação publicitária”:
“Pelo respeito que tenho à Seleção Brasileira, não tem ‘Brasa’ no nosso uniforme. Foi uma ação publicitária da Nike. Estou aqui para tranquilizar a Nação Brasileira que não vai ter ‘Brasa’. Nosso nome é Brasil”, afirmou Xaud.



















