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Ilca Maria Estevão

Stylist do DF, Santana Louis não tem medo de fugir da norma

Aos 22 anos, a jovem cresce profissionalmente também como dançarina. Com influências na cena ballroom, ela tem se destacado

22/02/2024 02:00, atualizado 04/03/2024 17:24
Gabriel Pinheiro/Material cedido ao Metrópoles
Na imagem com cor, mulher negra com os cabelos cacheados na piscina - Metrópoles

A busca por um “lugar ao sol” na moda não é um dos processos mais fáceis, principalmente se o seu corpo não for considerado a “norma”. Revertendo todas as adversidades, Santana Louis tem conquistado o próprio espaço com talento e dedicação. Goiana, mas radicada em Brasília, a jovem encontrou na cultura ballroom um acolhimento para potencializar as experiências pessoais e profissionais. A artista se divide entre os trabalhos de stylist e dançarina, que define como um só.

Vem conhecer!

@santlouis2/Instagram/ReproduçãoNa imagem com cor, mulher negra de cabelo cacheado - Metrópoles
Aos 22 anos, Santana Louis é um dos nomes em ascensão na cena artística brasiliense

Há cerca de seis anos, Santana Louis embarcou em uma viagem de grandes transformações. Ao chegar na capital do Brasil, com o principal objetivo de estudar, construiu laços que a fizeram ser quem é atualmente. “Comecei a fazer peças, inicialmente, para mim e amigas próximas. Aos poucos, passei a ser contratada para trabalhos na área de styling”, relembra, em entrevista à coluna.

Aos 22 anos, a artista explica como a cena ballroom brasiliense a impactou em diferentes formas. “Para mim, era tudo uma fantasia, algo mágico, mas aí descobri que era muito sobre família e trabalho. É um lugar em que entendi mais sobre gênero e racialidade”.

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Foi a partir da convivência com pessoas LGBTQIAP+ e negras que Santana Louis conheceu uma nova paixão: a dança. A artista tem fomentado um espaço de destaque para além de Brasília.

No currículo, acumula experiências de styling para nomes emergentes da cena cultural, por exemplo as Margaridas e as Irmãs de Pau, além de trabalhar como coreógrafa e bailarina do cantor Totô de Babalong. “Quando estou no palco, percebo que ali está a minha melhor versão. Consigo unir todos os elementos em um único momento, me sinto completa”, compartilha.

Material cedido ao MetrópolesNa imagem com cor, mulher negra de cabelo cacheado - Metrópoles
Em Brasília, Santana tem trabalhado com nomes emergentes, como Margaridas
@santlouis2/Instagram/ReproduçãoNa imagem com cor, mulher negra de cabelo cacheado - Metrópoles
Ela é goiana, mas mora no Distrito Federal há 6 anos
Material cedido ao MetrópolesNa imagem com cor, mulher negra de cabelo cacheado - Metrópoles
O trabalho consiste em criar peças surpreendentes com pouco
Gabriel Pinheiro/Material cedido ao MetrópolesNa imagem com cor, mulher negra de cabelo cacheado - Metrópoles
A stylist e dançarina não tem receio de quebrar barreiras

Sonho transformador

Para conseguir dar continuidade ao sonho de trabalhar com moda, Santana Louis divide o tempo como subgerente em uma loja da Youcom. Ela reflete sobre as dificuldades enfrentadas por ser uma travesti negra em uma área elitista e preconceituosa.

“Mesmo não conseguindo acessar tantos os espaços, a gente consegue utilizar da inteligência e ‘tecnologia’ travesti para transformar uma simples amarração em algo transformador e único”, avalia.

Apesar dos desafios do dia a dia, Santana Louis enxerga com força as experiências que a trouxeram até aqui. “Eu acabo defendendo que ser fora do padrão é viver o que a gente quer. É muito sobre a liberdade de poder externalizar o que vem dentro da minha cabeça”, finaliza.

Material cedido ao MetrópolesNa imagem com cor, mulher negra de cabelo cacheado - Metrópoles
A cultura ballroom é uma das principais influências nas criações de Santana
@santlouis2/Instagram/ReproduçãoNa imagem com cor, mulher negra de cabelo cacheado - Metrópoles
Santana Louis também é coreógrafa
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Com as Margaridas, a profissional tem conquistado cada vez mais relevância
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A partir da falta, cria looks impecáveis

Brasília Fora dos Padrões

A coluna deu início ao quadro Brasília Fora dos Padrões, como uma extensão da série Moda Brasília. Toda semana, apresentamos pessoas que se destacam pelo estilo próprio, a fim de dar ênfase à moda no Distrito Federal, no Centro-Oeste.

O objetivo é compilar fashionistas que usam o vestuário como uma forma de autoexpressão e autenticidade. Os nomes são selecionados de forma independente pela equipe da coluna. A iniciativa também aborda pautas com temas para além do segmento fashion, como música, entretenimento e arte.