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Ilca Maria Estevão

Saiba mais sobre os figurinos que deram a vitória à Mangueira

Carnavalesco Leandro Vieira buscou inspirações nos heróis populares para criar fantasias luxuosas e cheias de traços históricos

08/03/2019 07:34, atualizado 08/03/2019 11:28
Buda Mendes/Getty Images
Saiba mais sobre os figurinos que deram a vitória à Mangueira

Nessa quarta-feira (6/3), a Estação Primeira de Mangueira foi eleita a grande campeã do Carnaval do Rio de Janeiro, depois de homenagear heróis populares na Passarela do Samba, com direito a um tributo para Marielle Franco, vereadora assassinada em março do ano passado.

O quesito Fantasia, que neste ano foi o principal critério de desempate, deu a 20ª vitória da escola entre as agremiações do grupo especial e levou os membros da comunidade homônima à loucura. E não poderia ser diferente! O carnavalesco Leandro Vieira cuidou de cada detalhe pessoalmente e caprichou na execução das centenas de figurinos desfilados na Sapucaí.

Vem saber mais sobre os looks da grande campeã!

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Com o enredo História Para Ninar Gente Grande, a Mangueira relembrou a trajetória de negros, índios e pobres que tiveram participações importantes no Brasil, mas foram esquecidos nos livros didáticos. Entre os nomes, estão Luiza Mahin e Chico da Matilde. Leandro Vieira, o carnavalesco da escola, mais uma vez optou por um tema político, com críticas ao governo vigente.

Provocar esse tipo de debate tem sido o foco do artista desde que ele chegou à agremiação, em 2016. “Não faz sentido apresentar um discurso desinteressante, que não dialogue com a comunidade e com o público. O que eu faço é arte, baseada no questionamento e na contradição, pautada no pensamento crítico. Então, não posso me melindrar com polêmicas. Este ano, tem a ver com esse Brasil polarizado, que mistura política com partido. A arte é política. E se o Carnaval é arte, também é político”, disse ao Globo.

Gilson Borba/NurPhoto via Getty Images
Velha Guarda marcou presença no abre-alas, com ternos estampados
Buda Mendes/Getty Images
Leci Brandão foi um dos destaques da escola, vestindo peças brancas
Gilson Borba/NurPhoto via Getty Images
Mangueira satirizou membros da monarquia

O carnavalesco afirma que boa parte do seu trabalho é propor uma estética questionadora e, para 2019, o objetivo foi retratar figuras de nossa história, como Dom Pedro I e Marechal Deodoro da Fonseca, de forma caricata. Em contrapartida, nomes como Dandara e Esperança Garcia ganharam uma interpretação heroica.

A comissão de frente, idealizada por Leandro, questionou o papel de ícones históricos do Brasil no período colonial. O carro abre-alas, intitulado Mais Invasão que Descobrimento, defendeu a tese de que nosso país não foi descoberto, mas invadido. Entre os membros, 12 crianças vestidas com peças criadas pelos alunos do curso de Design de Moda da Estácio.

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Comissão de frente deu destaque aos heróis populares
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Destaques do carro abre-alas da Mangueira
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Crianças vestiram peças criadas pelo curso de moda da Estácio

Com estética indígena e fantasias cheias de penas, a linearidade do tema prosseguiu com um genocídio encenado na segunda alegoria. Na ala das baianas, intitulada Irmandades Negras, os figurinos vieram em tons marcantes, com cinturões em padronagens étnicas e muitos búzios e terços. Para finalizar, chapéus em forma de bandeja, em referência à união e hospitalidade do povo escravo.

Reprodução
Preto e laranja nas fantasias das baianas

Evelyn Bastos, a rainha de bateria, apostou em um look inspirado na escrava Esperança Garcia, considerada a primeira mulher advogada do Piauí. “Ela representa o pobre, o favelado e, sobretudo, a mulher negra, porque nosso comprovante de residência já sofre um preconceito. Mas resolvemos retratá-la em forma de rainha. É uma homenagem”, explicou Evelyn ao Globo.

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Evelyn Bastos usou look inspirado na escrava Esperança Garcia
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Mood indígena seguiu em grande parte do desfile
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Ternos da bateria ganhou padronagem moderna com as cores da escola

Escondendo os mamilos com um lib, a passista optou por tirar a atenção da nudez. “Carnaval é discurso político. Acho importante a fantasia trazer um debate, porque tem a manifestação cultural em forma de arte. Ter um discurso político é fundamental para a nossa história enquanto Carnaval”, defendeu.

Matheus Olivério e Squel, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, também seguiram o mood indígena, mas com muita pompa verde e rosa. A dupla surgiu em uma versão glamourosa e cheia de brilho das tradicionais vestes usadas pelos estandartes humanos que representam a coletividade de cada agremiação e garantiram nota máxima para a escola.

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Fantasias do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira
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Renan Oliveira e Débora de Almeida, segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, com muitos búzios em suas roupas
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Cores da agremiação não poderiam faltar

A Mangueira fez um desfile exemplar, com produções bem pensadas e originais, seguindo com louvor o tema proposto pela comunidade. Prêmio mais do que merecido!

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Colaborou Danillo Costa