
Ilca Maria EstevãoColunas

Saiba as limitações que marcam a moda feminina no Afeganistão
Mulheres têm uma série de limitações, que incluem as opções de vestimenta, na atual cultura do Afeganistão, sob controle do Talibã
atualizado
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A rotina das mulheres no Afeganistão, que vive novamente sob o controle do grupo fundamentalista islâmico Talibã, é marcada por limitações em diferentes áreas. Entre elas, a moda. Desde 2022, pessoas do sexo feminino são proibidas de exibir o rosto em público, sob o risco de multa e até prisão para parentes ou empregadores das mulheres que descumprirem a regra.
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Vestimentas das mulheres no Afeganistão
A orientação é que elas usem burca, peça tradicional no país, que deixa uma grade pequena na região dos olhos, ou no mínimo niqab, que é semelhante, mas tem abertura nos olhos. Dessa forma, ficam cobertas da cabeça aos pés. Algumas das mulheres cobriam somente o cabelo antes da restrição, que, em conjunto com outras proibições impostas aos direitos femininos, foi apelidada por ativistas como “apartheid de gênero”, como descreveu o jornal The Guardian.
À época, o Ministério da Justiça local declarou: “As regras, promovidas como estando em conformidade com a lei islâmica sharia e a serem aplicadas pelo Ministério da Moral, foram baseadas em um decreto do líder espiritual supremo do Talibã em 2022 e, agora, foram oficialmente publicadas como lei.”



Limitações impostas pelo Talibã
O Talibã, vale lembrar, controlou o Afeganistão de 1996 até 2001, quando houve a intervenção dos Estados Unidos por meio de uma coalizão militar. Em 2021, o grupo retomou o poder depois que forças militares estadunidenses saíram do país. A lista de restrições imposta desde então também veta as mulheres de protestar, ler em voz alta, trabalhar em áreas que não sejam saúde ou educação e viajar sozinhas por longas distâncias.
Apesar de ter havido o decreto de 2022 sobre uso da burca ou, no mínimo, um véu que cubra o rosto, a aplicação da regra nem sempre é uniforme no país. Em grandes cidades, como Cabul, ainda é possível ver mulheres apenas de hijab ou até com o rosto descoberto em contextos específicos, como hospitais e ações mediadas por ONGs.



Contraste com o passado
Nas décadas de 1960 e 1970, especialmente em Cabul, capital do país, parte das mulheres afegãs circulava de minissaia, vestidos comuns no ocidente e cabelos soltos, refletindo uma vida urbana mais liberal. Sob o Talibã, o uso da burca voltou a ser obrigatório, representando um contraste com o passado.

Diante das restrições, falar da moda do Afeganistão é falar de poder e do controle do corpo feminino como ferramenta política. Enquanto o mundo, ao longo das últimas décadas, passou a celebrar a diversidade e a liberdade de expressão no vestir, as afegãs viram a própria roupa transformada em uma mais uma forma de limitação.










