Saiba as limitações que marcam a moda feminina no Afeganistão

Mulheres têm uma série de limitações, que incluem as opções de vestimenta, na atual cultura do Afeganistão, sob controle do Talibã

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Mulheres de burca no Afeganistão - Metrópoles
1 de 1 Mulheres de burca no Afeganistão - Metrópoles - Foto: Elise Blanchard/Getty Images

A rotina das mulheres no Afeganistão, que vive novamente sob o controle do grupo fundamentalista islâmico Talibã, é marcada por limitações em diferentes áreas. Entre elas, a moda. Desde 2022, pessoas do sexo feminino são proibidas de exibir o rosto em público, sob o risco de multa e até prisão para parentes ou empregadores das mulheres que descumprirem a regra.

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Mulher de burca no Afeganistão - Metrópoles
Mulher de burca no Afeganistão em novembro de 2024

Vestimentas das mulheres no Afeganistão

A orientação é que elas usem burca, peça tradicional no país, que deixa uma grade pequena na região dos olhos, ou no mínimo niqab, que é semelhante, mas tem abertura nos olhos. Dessa forma, ficam cobertas da cabeça aos pés. Algumas das mulheres cobriam somente o cabelo antes da restrição, que, em conjunto com outras proibições impostas aos direitos femininos, foi apelidada por ativistas como “apartheid de gênero”, como descreveu o jornal The Guardian.

À época, o Ministério da Justiça local declarou: “As regras, promovidas como estando em conformidade com a lei islâmica sharia e a serem aplicadas pelo Ministério da Moral, foram baseadas em um decreto do líder espiritual supremo do Talibã em 2022 e, agora, foram oficialmente publicadas como lei.”

Mulher de burca no Afeganistão - Metrópoles
A burca tem essa tela na região dos olhos

 

Mulheres de burca no Afeganistão - Metrópoles
No Afeganistão, o item – ou pelo menos um niqab, aberto na parte dos olhos – é obrigatório para mulheres desde 2022

 

Mulher de burca no Afeganistão - Metrópoles
A imposição da burca, que já era uma peça tradicional no país, é uma das diversas limitações impostas pelo Talibã às mulheres

Limitações impostas pelo Talibã

O Talibã, vale lembrar, controlou o Afeganistão de 1996 até 2001, quando houve a intervenção dos Estados Unidos por meio de uma coalizão militar. Em 2021, o grupo retomou o poder depois que forças militares estadunidenses saíram do país. A lista de restrições imposta desde então também veta as mulheres de protestar, ler em voz alta, trabalhar em áreas que não sejam saúde ou educação e viajar sozinhas por longas distâncias.

Apesar de ter havido o decreto de 2022 sobre uso da burca ou, no mínimo, um véu que cubra o rosto, a aplicação da regra nem sempre é uniforme no país. Em grandes cidades, como Cabul, ainda é possível ver mulheres apenas de hijab ou até com o rosto descoberto em contextos específicos, como hospitais e ações mediadas por ONGs.

Mulher de burca no Afeganistão - Metrópoles
Aqui, uma mulher em uma rua de Cabul, capital do Afeganistão, em junho de 2024

 

Mulheres de burca no Afeganistão - Metrópoles
Registro de janeiro de 2022

 

Mulheres no Afeganistão - Metrópoles
Em algumas ocasiões, apesar da regra, é possível ver mulheres com rostos expostos

Contraste com o passado

Nas décadas de 1960 e 1970, especialmente em Cabul, capital do país, parte das mulheres afegãs circulava de minissaia, vestidos comuns no ocidente e cabelos soltos, refletindo uma vida urbana mais liberal. Sob o Talibã, o uso da burca voltou a ser obrigatório, representando um contraste com o passado.

Mulheres em Cabul, no Afeganistão, nos anos 1970 - Metrópoles
Jovens estudantes em Cabul no ano de 1972, com um vestuário muito diferente do obrigatório nos dias atuais. Na época, no entanto, vale a ressalva de que a minissaia também era um item criticado pela maioria dos afegãos, já que a cultura local é ligada às tradições muçulmanas

Diante das restrições, falar da moda do Afeganistão é falar de poder e do controle do corpo feminino como ferramenta política. Enquanto o mundo, ao longo das últimas décadas, passou a celebrar a diversidade e a liberdade de expressão no vestir, as afegãs viram a própria roupa transformada em uma mais uma forma de limitação.

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Manifestantes afegãs protestam diante do Parlamento Britânico, em Londres por educação, trabalho e liberdade, em janeiro de 2023
Mulheres caminham pelas ruas de cidade no sul do país, em maio de 2023
Mulheres e crianças aguardam atendimento em hospital distrital afetado por cortes de ajuda internacional
Na cidade de Muqur, mulheres esperam consulta com parteiras em hospital local sobrecarregado após redução de verbas externas, em agosto deste ano
Mulheres protestam contra a proibição do acesso feminino às universidades. Registro de dezembro de 2022 em Cabul
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Mulheres protestam contra a proibição do acesso feminino às universidades. Registro de dezembro de 2022 em Cabul

Stringer/Getty Images
Manifestantes afegãs protestam diante do Parlamento Britânico, em Londres por educação, trabalho e liberdade, em janeiro de 2023
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Manifestantes afegãs protestam diante do Parlamento Britânico, em Londres por educação, trabalho e liberdade, em janeiro de 2023

Wiktor Szymanowicz/Anadolu Agency via Getty Images
Mulheres caminham pelas ruas de cidade no sul do país, em maio de 2023
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Mulheres caminham pelas ruas de cidade no sul do país, em maio de 2023

Elise Blanchard for The Washington Post via Getty Images
Mulheres e crianças aguardam atendimento em hospital distrital afetado por cortes de ajuda internacional
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Mulheres e crianças aguardam atendimento em hospital distrital afetado por cortes de ajuda internacional

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Na cidade de Muqur, mulheres esperam consulta com parteiras em hospital local sobrecarregado após redução de verbas externas, em agosto deste ano
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Na cidade de Muqur, mulheres esperam consulta com parteiras em hospital local sobrecarregado após redução de verbas externas, em agosto deste ano

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