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Passarelas ampliam perfis, mas rejeição recai sobre influenciadores
A presença de personalidades da internet nas passarelas tem se tornado recorrente em semanas de moda, especialmente no Brasil
atualizado
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É cada vez mais comum a presença na passarela não apenas de modelos profissionais, mas também de celebridades, familiares, crianças e pessoas sem trajetória prévia na moda. As críticas do público, contudo, se concentram nos influenciadores, em uma defesa inegociável aos modelos — mesmo que em toda a indústria outros cargos sejam ocupados por pessoas que não necessariamente estudaram moda e suas profissionalizações.
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Uma nova passarela
Desde os anos 1990, quando supermodelos começaram a dividir espaço com atrizes e figuras públicas, a passarela se consolidou como um espaço de criatividade dos diretores de marcas, que fogem do padrão europeu estabelecido há um século. Hoje, não é difícil ver artistas fazendo performances de canto e dança e convidados arriscarem um catwalk não profissional.

O tema nunca foi amplamente discutido, até a entrada de influenciadores digitais no cenário. O movimento, que vem de alguns anos para cá, se manifesta no momento em que rostos populares na internet são atrativos para o público e trazem consigo patrocinadores e destaque na mídia.

O debate sobre essa participação ganhou força em episódios recentes, como no Rio Fashion Week, quando o desfile da Blueman incluiu influenciadores no casting, até mesmo com um “passinho” na passarela.

Apesar de ter sido duramente criticada, a participação foi concebida com a proposta de mostrar diferentes cenários do dia a dia brasileiro, entre rodas de samba, altinhas na praia e danças que são vistas no cotidiano carioca. Ao não seguir um padrão tradicional de passarela, a marca foi acusada de desvalorização de modelos profissionais.
Desaprovação seletiva
As críticas à presença de influenciadores em desfiles são um paradoxo com a aceitação de outros perfis fora do circuito profissional, como celebridades e familiares. A diferença de recepção evidencia um tratamento distinto entre categorias que igualmente não pertencem ao mercado tradicional de modelos.
A estrutura da indústria, afinal, nunca se concentrou em acadêmicos da moda. Profissionais de diferentes áreas, como comunicação, produção, arquitetura e conteúdo digital, atuam no setor sem necessariamente terem formação específica. Essa diversidade nunca foi contestada dentro ou fora da indústria, mas o papel das modelos é defendido como o único papel inegociável na indústria.















