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Olimpíadas 2026: capacetes se tornam manifesto político e cultural
Nas Olimpíadas de Inverno, equipamentos esportivos vêm sendo usados para homenagear países e destacar posicionamentos políticos nos Jogos
atualizado
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Para além das performances, as Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina 2026 têm chamado a atenção pelos figurinos, acessórios e uniformes usados pelos atletas. Desde trajes deslumbrantes até uniformes simbólicos, os Jogos de Inverno vêm rendendo diversos destaques fashion. É o caso dos capacetes usados pelos atletas de skeleton, que roubaram a cena ao revelar opiniões e posicionamentos políticos dos esportistas, além de detalhes de cada personalidade individual.
Vem saber mais!

Acessórios com simbologia
Os atletas de skeleton têm usado capacetes personalizados como uma forma de expressão durante a competição. Para muitos, os acessórios são um meio de exaltar seus países de origem, optando por versões customizadas com bandeiras e símbolos nacionais. As versões mais comentadas na web têm sido as usadas pelo time dos Estados Unidos e de Israel.
A atitude também se destacou aos olhos do público por se tratar de nações envolvidas em conflitos internacionais atualmente. O gesto simbólico traz uma camada de contexto político para as performances.


Para além do contexto político, houve aqueles que optaram por explorar outros elementos simbólicos de seus países de origem, como animais e contos folclóricos. Veja na galeria:
Olimpíadas politizadas
O posicionamento dos atletas não se resumiu ao campo da estética. Em seu capacete, o atleta ucraniano Vladyslav Heraskevych homenageou os esportistas que morreram no conflito entre Ucrânia e Rússia, em curso desde 2022. Contudo, Vladyslav não chegou a competir de fato. O atleta apenas participou dos treinos com o “capacete memorial”, como a peça passou a ser chamada.
Após ver o capacete, o Comitê Olímpico Internacional (COI) optou pela desclassificação do atleta, sob justificativa de que o equipamento não segue os padrões exigidos pela instituição. Segundo o COI, foram propostas alternativas, como o uso de uma faixa preta no braço em homenagem aos atletas que foram vítimas da guerra. Porém, não foi possível chegar a um acordo, resultando na proibição de Vladyslav de competir.

Após a decisão, Vladyslav e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, compartilharam suas opiniões. O atleta afirmou que “esse é o preço que se paga pela dignidade do povo ucraniano”. Já Zelensky, declarou nas redes que “o esporte não deveria significar amnésia, e o movimento olímpico deveria ajudar a acabar com as guerras, não fazer o jogo dos agressores”.
Apesar da situação, Rússia e Belarus ainda estão banidos dos jogos olímpicos devido à Guerra da Ucrânia e descumprimento da trégua olímpica, em fevereiro de 2022. Entretanto, outras nações envolvidas em conflitos atuais seguem competindo nesta edição sem impedimentos, como é o caso de Israel.















