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Ilca Maria Estevão

Mylo: Stella McCartney lança peças feitas com “couro” de cogumelos

São as primeiras roupas do mundo a serem desenvolvidas com esse material, que é vegano e sustentável

Repórter de Ilca Maria Estevão24/03/2021 15:30, atualizado 02/01/2023 21:01
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Stella McCartney/Divulgação
Modelo com couro de cogumelos

A cada temporada, o couro reina nas peças que riscam as passarelas. Atemporal, o material de origem animal está presente nas coleções invernais, mas também nas de verão, desdobrado nas mais diversas modelagens, acabamentos e cores. Só que, ao longo dos anos, diversas marcas passaram a investir em opções sintéticas. Desta vez, o tecido ganha uma nova versão – sustentável e cultivada em laboratório. Trata-se do “couro” de cogumelo vegano, que dá forma às recém-estreadas criações de Stella McCartney.

Vem ver!

Giphy/Reprodução

Em 2017, a bolsa best-seller da Stella McCartney ganhou versão feita em Mylo, que se assemelha ao couro, mas é feito a partir da matéria-prima inusitada. No ano seguinte, foi destaque na exposição Fashioned From Nature, no museu britânico V&A. Batizado de Falabella, o acessório atemporal é reconhecido pelas correntes brilhantes e pelo formato com bordas cortadas.

Agora, a grife apresenta peças de roupa confeccionadas com o inovador Mylo, uma alternativa sustentável ao couro animal e ao sintético. “Já tínhamos feito uma bolsa, então, eu queria fazer roupas ready-to-wear, para dar um pouco mais de visibilidade ao material, mostrar sua versatilidade e como ele pode ser usado pela indústria têxtil para realmente substituir o couro”, explicou McCartney à Vogue.

Modelo com couro de cogumelos
Em 2017, Stella McCartney relançou sua it-bag Falabella em “couro” de Mylo
Modelo com couro de cogumelos
Recentemente, a grife anunciou o lançamento de duas peças de roupa com o mesmo material
Modelo com couro de cogumelos
Tratam-se de um top e uma calça
Modelo com couro de cogumelos
Os modelitos possuem viés moderno

A estilista aponta que o Mylo é um tecido fino e macio, além de ser sustentável e vir de uma fonte renovável, graças ao sistema radicular dos cogumelos. Outro ponto positivo para o “couro” é a textura realista, que dispensa o uso de materiais plásticos, como couro fake, para alcançar um visual semelhante à pele animal.

Infelizmente, as peças não serão comercializadas. A marca sinalizou que os modelitos apresentados são protótipos, para ilustrar o potencial dessa matéria-prima. O objetivo, a princípio, é abrir espaço para um futuro vegano na moda.

Modelo com couro de cogumelos
Há 20 anos, Stella McCartney busca trazer ideias sustentáveis
Modelo com couro de cogumelos
A grife nunca utilizou matérias-primas de origem animal, como couro, penas, pele ou peles
Modelo com couro de cogumelos
Paris Jackson, conhecida pela militância ambiental, estrela a campanha da novidade
Modelo com couro de cogumelos
O material é feito a partir de cogumelos cultivados em laboratório

O top e a calça da Stella McCartney são as primeiras peças do mundo a serem criadas com o tecido inovador e ecológico. Para divulgar as criações, a cantora e ativista Paris Jackson, filha de Michael Jackson, foi elencada para estrelar a campanha de lançamento.

“Estou muito feliz e extremamente grata por estar do lado certo da mudança e por fazer parte de algo muito maior do que eu: salvar os animais e o meio ambiente, um de cada vez”, disse Paris Jackson no vídeo de estreia.

Hermès

A grife Stella McCartney não é a única a acreditar no potencial desse tipo de material. No dia 12 deste mês, a Hermès anunciou o lançamento da primeira bolsa da grife de luxo feita com micélio, uma fina rede de fios que forma a parte vegetativa do organismo que produz o cogumelo.

O acessório foi desenvolvido em parceria com a empresa especializada em biomateriais MycoWorks, que patenteou a matéria-prima intitulada de Fine Mycelium.

“Não poderíamos imaginar um parceiro melhor do que a Hermès para apresentar nosso primeiro objeto feito de micélio fino. Hermès e MycoWorks compartilham valores comuns de habilidade, qualidade, inovação e paciência”, afirmou Matt Scullin, CEO do MycoWorks, em comunicado.


Colaborou Sabrina Pessoa