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Ilca Maria Estevão

Metrópoles Fashion & Design Festival discute o mercado de moda local

Além do localismo, os bastidores da produção do Desafio MFD também foram destaque nas rodas de conversa

15/09/2023 17:56, atualizado 15/09/2023 19:46
Metheus Veloso/Metrópoles
Três modelos posando para foto em evento de moda - Metrópoles

Na programação do Metrópoles Fashion & Design Festival 2023, um dos atrativos foram as rodas de conversa. A iniciativa englobou temas relevantes para a moda local e para a indústria têxtil. Uma das temáticas foi a importância da expansão do mercado de criadores do Distrito Federal. Outra atração que complementou o cronograma foi o debate sobre os bastidores do Desafio MFD.

Vem conferir os detalhes!

Matheus Veloso/MetrópolesRoda de conversa no Metrópoles Fashion & Design Festival 2023 - Metrópoles
As rodas de conversa movimentaram o MFDF 2023

Desafio MFD

Com foco no reaproveitamento de materiais, o Desafio Metrópoles Fashion & Design 2023 teve três finalistas: Pedro Hermano, Vitória Nina Woronkoff e Fernando Cardoso. Os vencedores participaram de uma roda de conversa, nessa quinta-feira (14/9), para falar sobre os bastidores da experiência. Com direito a desfile, o momento foi mediado pela repórter Júlia Marques.

O processo criativo e conceito das coleções confeccionadas pelos estilistas emergentes foram debatidos. Junto com a amiga Nythia Barros, Vitória Nina criou a coleção de upclycling a partir de peças jeans. As estampas foram inspiradas em tatuagens old school.

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Nina falou sobre a importância de ressignificar as peças que seriam descartadas. “Queremos mostrar que a roupa pode ser mais do que apenas um objeto de consumo”, frisou. A dupla revelou ainda que está em fase de preparação para lançar uma marca, que produzirá coleções com base no denim, a partir de retalhos e técnicas artesanais.

Para o desafio, Pedro Hermano apresentou um compilado conceitual com tecidos inusitados, como tela de mosquito e estampas desenvolvidas com água sanitária. No talk, ele explicou que quis trabalhar com materiais nada convencionais. “Com a coleção que eu ressignifiquei, aprendi a importância de testar os materiais antes de colocá-los em produção”, disse Pedro.

Já o designer Fernando Cardoso apresentou uma coleção de memórias inspiradas na própria infância. O designer falou sobre a importância da moda como forma de expressão. “A moda não é apenas vestir. É uma forma interessante de comunicar nossos valores e ideais”, assegurou o finalista.

Metheus Veloso/MetrópolesCobertura de evento de moda em museu - Metrópoles
O desafio Metrópoles Fashion & Design foi tema de um dos painéis
Metheus Veloso/MetrópolesCobertura de evento de moda em museu - Metrópoles
Os três finalistas participaram da conversa
Metheus Veloso/MetrópolesCobertura de evento de moda em museu - Metrópoles
Um dos assuntos abordados foi a importância de ressignificar as peças de roupas
Metheus Veloso/MetrópolesCobertura de evento de moda em museu - Metrópoles
O desafio teve o intuito de valorizar novos talentos

Os participantes falaram sobre a necessidade de o futuro da moda deve ser mais sustentável. Eles apontaram a importância de reduzir o consumo de roupas e de buscar materiais ecológicos. O grupo também repara que os consumidores estão cada vez mais conscientes sobre os impactos ambientais da moda.

Os designers acreditam que a moda será cada vez mais personalizada. Eles reparam que os consumidores querem se sentir únicos e que a moda pode ser uma forma de expressar a individualidade.

Metheus Veloso/MetrópolesCobertura de evento de moda em museu - Metrópoles
A importância da moda como forma de expressão foi destacada
Metheus Veloso/MetrópolesCobertura de evento de moda em museu - Metrópoles
Modelos desfilaram usando peças confeccionadas para o desafio
Metheus Veloso/MetrópolesCobertura de evento de moda em museu - Metrópoles
Os designers também compartilharam perspectivas para o futuro

Localismo

Há quatro anos na cena brasiliense, a Off Shadow tem uma legião de clientes que consomem as criações de JP Santos. O jovem designer foi um dos convidados para a roda de conversa do Metrópoles Fashion & Design Festival que debateu o localismo e a expansão do mercado de criadores, nesta quinta-feira (15/9).

Para o designer, o sentimento de inconformidade em relação aos espaços que frequentava foi um dos fatores que o levou a criar a marca própria. “Entendi que eu era diferente e que isso me tornava especial. Assim, a moda surgiu como uma forma de conseguir me expressar. Quando compreendi que também podia contribuir para a realidade de outras pessoas, decidi que faria disso a minha vida”, contou.

Alisson Abreu e Tiago Lucas, responsáveis pelas marcas Hylo Cartis Studio e Cabaré Amazônico, respectivamente, compartilham do sentimento de inadequação como uma motivação para criarem os negócios. Durante a conversa no MFDF, os participantes revelaram a dificuldade de expandir os negócios de uma forma que haja remuneração justa para todos os envolvidos na produção.

“Tenho uma dificuldade de precificar o que faço, mas tenho compreendido que isso faz parte de entender e respeitar o meu trabalho. Estar em um evento como esse é saber também nos valorizar, ainda mais porque é o segundo ano seguido. Me sinto realizado de as minhas peças estarem chegando em espaços até então nunca imagináveis”, apontou Alisson.

Matheus Veloso/MetrópolesNa imagem com cor, participantes da roda de conversa do MFDF - Metrópoles
Localismo foi um dos temas abordados nesta quinta-feira (15/9)
Matheus Veloso/MetrópolesNa imagem com cor, participantes da roda de conversa do MFDF - Metrópoles
A inconformidade pessoal foi um dos fatores para os estilistas empreenderem no universo da moda
Matheus Veloso/MetrópolesNa imagem com cor, participantes da roda de conversa do MFDF - Metrópoles
JP Santos é o criador da Off Shadow, marca de streetwear em Brasília. Ele levou a própria experiência para a roda de conversa do MFDF

Metrópoles Fashion & Design Festival 2023

Para movimentar a moda brasiliense, Ilca Maria Estevão promoveu a segunda edição Metrópoles Fashion & Design Festival. A iniciativa foi realizada com apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. O evento, que ocorreu de forma gratuita nos dias 14 e 15 de setembro, também proporcionou experiências musicais e gastronômicas.

Neste ano, o foco do MFDF foram brechós locais. Com a proposta de impulsionar a economia criativa e circular, o Museu Nacional da República recebeu 15 empresas do segmento. São elas: To Face, Bullseye, GG Garimpei, Reetiqueta, Bela Shop, Desapeguei Bonito, Choose Vintage, Reciclando Luxo, Lixo Mania, Pretty New, Peça Rara, Tela Ambulante, Brechó dos Óculos, Não Kero Maix e Bem QT Quis.