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Metrópoles Catwalk promove trocas sobre profissionalização na moda
Especialistas da área de educação em moda contam sobre os desafios e o caminho que o ensino fashion ainda precisa percorrer
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A formação técnica em moda foi tema central de uma roda de conversa que aborda caminhos da profissionalização no setor e as múltiplas formas de aprender, ensinar e transformar a moda a partir do território brasiliense. O bate-papo, realizado como parte da programação do Metrópoles Catwalk, teve a participação de Maria Celeste Sanches (Téti Sanches), professora e pesquisadora com atuação internacional; Breno Abreu, professor da Universidade de Brasília; e Rafaella Lacerda, docente e fundadora da startup Texturas Ecolab. Estreante na capital, o Metrópoles Catwalk reúne oficinas, desfiles, workshops e rodas de conversa até o dia 7 de novembro no Teatro Nacional Claudio Santoro.
Vem saber mais!

Vantagens e desafios da profissionalização na moda
A conexão entre o estudante, a comunidade e o entorno é essencial para a formação de um profissional de moda que saiba dialogar com diferentes públicos ao longo da carreira. Para a professora Téti Sanches, essa troca é parte fundamental do aprendizado:
“O primeiro ímpeto sempre é buscar a parte da criatividade. Existe uma romantização da criação e do mundo glamouroso da moda”, observa.
Segundo ela, compreender o contexto social e cultural em que o trabalho se insere ajuda a desenvolver um olhar mais sensível e responsável, aproximando o design das pessoas e das realidades que o inspiram.

Nos cursos de moda do IESB e da UnB, convivem perfis distintos de alunos e propostas pedagógicas complementares — uma formação mais voltada à prática e ao mercado, e outra mais ligada à pesquisa e à reflexão crítica. Essa diversidade contribui para ampliar a visão sobre o papel do designer, que precisa dominar aspectos técnicos, de comunicação e de gestão.
“O processo não é mais linear”, explica Sanches, reforçando que, atualmente, o profissional deve pensar em toda a jornada do produto, desde o conceito até o descarte. A moda, nesse sentido, ultrapassa o ato de “colocar o produto no mercado”: trata-se de compreender os impactos e a durabilidade das criações.

A professora Rafaella Lacerda reforça essa visão circular do design: “Precisamos partir do material, ele sempre vai dizer para onde que vai.”
Ela destaca que o uso consciente das matérias-primas é uma das chaves para a sustentabilidade no setor. Além disso, os estudantes também têm papel ativo na construção dos currículos, trazendo saberes e técnicas que desejam aprofundar. Um exemplo é o interesse pelo crochê entre os alunos da UnB, que levou a universidade a criar um curso dedicado exclusivamente à técnica — mostrando que a troca entre instituição e comunidade acadêmica é, cada vez mais, um processo de aprendizado mútuo.

Programação
O Metrópoles Catwalk começou no dia 3 de novembro e se estende até esta sexta-feira (7/11). No Teatro Nacional Claudio Santoro, a programação propõe uma imersão no mundo fashion do Distrito Federal (DF) e de todo o país, e inclui exibições de arte, desfiles e rodas de conversa. Terá, ainda, um elenco de 70 modelos para a passarela do evento — entre elas, 40 do DF.

Realizado pelo Instituto Inbras, em parceria com o Metrópoles e com apoio da Secretaria de Turismo e da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, o evento marca um dos primeiros grandes acontecimentos a ocupar o Teatro Nacional desde a reabertura.


Entre os destaques da moda brasiliense, marcas como Hylo Cartis, LUCILA, Sun Rose, Sérgio Caldo, Drama, Biruta, Louback, Telaio, Miwa, intensify.me, Dane-se e Letícia Gonzaga desfilam ao lado de nomes como Gloria Coelho, Aluf, Guto Carvalhoneto, Le Blog, e Reinaldo Lourenço — nomes do Rio de Janeiro e de São Paulo que desembarcam no Metrópoles Catwalk, a convite das multimarcas brasilienses Jeté, Maria, Q.UA.D.R.A., Hills e Magrella.
Os convites para os desfiles e para as demais atrações podem ser retirados neste link.
