
Ilca Maria EstevãoColunas

Juliana Paes de Dolce & Gabbana na Sapucaí gera debate na web
Rainha de Bateria da Viradouro deixou internautas desapontados com o uso da grife italiana no desfile; marca é conhecida por polêmicas
atualizado
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O famoso desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro de 2026 rendeu à niteroiense Unidos do Viradouro o prêmio de campeã. A escola apresentou o samba-enredo em homenagem ao mestre de bateria Ciça, além de contar com a atriz Juliana Paes como a Rainha de Bateria. Mesmo com um figurino extremamente elogiado, Juliana também recebeu muitas críticas por usar uma peça da marca italiana Dolce & Gabbana, que é conhecida por posicionamentos xenofóbicos e homofóbicos.
Vem entender mais!

Figurino controverso
O figurino de Juliana Paes foi confeccionado a partir da colaboração entre a Viradouro e a Dolce & Gabbana, com o stylist Yan Acioli por trás do processo. O objetivo da peça era criar uma ideia de realeza, unindo a imponência e o luxo.
Para a peça chegar ao desfile foi necessário que a escola ficasse responsável por toda a questão logística da roupa, ou seja, os moldes de ferragem, o sutiã e a estrutura de cabeça, enquanto a maison ficou com os adereços do figurino. Um dos destaques foram os cristais Swarovski aplicados um a um e bordados à mão.
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Mesmo tornando-se um traje extravagante e coerente com a história que a Viradouro contava durante o desfile, a internet não deixou de destacar o quanto a presença de uma grife internacional envolta em várias polêmicas não foi algo tão interessante assim.
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As principais razões para esse descontentamento foram o suposto descaso com marcas e trabalhadores brasileiros na confecção do traje. Como um evento tradicional do Brasil, os internautas defenderam que seria mais interessante a atriz usar uma peça feita por designers e mão de obra nacional, valorizando a moda brasileira.
Outra questão foi o histórico polêmico da Dolce & Gabbana. A maison tem vários casos de xenofobia e ataque às minorias. Os próprios fundadores da marca, que já foram um casal anos atrás, já realizaram declarações contra casais homossexuais e contra a adoção de crianças por esses.
Dessa forma, muitos defendem que, como o Carnaval se destaca como uma festa da população negra, periférica e LGBTQIAPN+, não é coerente trazer uma marca com valores tão controversos como a Dolce & Gabbana.
Escolha polêmica para o Carnaval
De acordo com Acioli, a junção entre a escola e a grife fez o “desfile se tornar um evento de alta-costura a céu aberto”. Além disso, isso rendeu não só a Viradouro, mas para o Carnaval, um destaque no que tange a indústria da moda global.
Entretanto, internautas questionam se realmente valeu a pena trazer uma marca tão problemática para um evento que gera tanta visibilidade ao Brasil, seja pela festa em si, ou por todas as peças e figurinos que são confeccionados nessa época.
A realidade é que parte do público não nega o quão bonito o traje ficou, mas acredita que ele poderia ser feito por uma marca brasileira, com mão de obra totalmente nacional e mais alinhada aos valores e ideais do Carnaval.













