Havaianas leva o Tabi aos chinelos em colaboração com P. Andrade
Tradicional silhueta Tabi é reinterpretada pela Havaianas em parceria com a P. Andrade no Paris Fashion Week; conheça modelo Top Cut

Marcados pelo bico bipartido, que separa os dedos do pé, os calçados Tabi vêm conquistando cada vez mais espaço na moda. A popularidade do design agora alcança um público mais amplo, após passar décadas restrita a um nicho. Prova disso é a parceria entre a Havaianas e a grife brasileira P. Andrade. Apresentado durante o Paris Fashion Week e batizado de Top Cut, o modelo é um chinelo que adapta a icônica silhueta Tabi ao clássico design da fabricante brasileira.
Vem conferir!

Havaianas x P. Andrade
A nova peça une o conforto característico da Havaianas à herança japonesa da sandália zori – modelo plano e de tiras que, segundo a própria empresa, foi uma das inspirações para sua fundação, em 1962. O lançamento marca um movimento de inovação para a fabricante, que normalmente trabalha dentro de um repertório de formas já consolidado.
O novo design foi apresentado ao público durante o desfile da P. Andrade no Paris Fashion Week, integrando a coleção primavera/verão 2027, batizada de Sagrado. A nova linha também inclui parcerias com as marcas Nike, Levi’s e a francesa Phileo.
Intitulado Top Cut, o calçado chega ao mercado em janeiro de 2027, acompanhando um momento de força da Havaianas no cenário internacional. A empresa chegou ao topo do Lyst Index, ranking que reúne os itens mais desejados da moda global, impulsionada, em parte, pelo retorno do brazilcore e pelo interesse internacional pela estética brasileira ao longo de 2025 e 2026.

Outro projeto recente reforça a presença da marca fora do país: a parceria com a KidSuper, também estreada no Paris Fashion Week. Inspirado em campos de futebol, o Havaianas Top KidSuper Turf Pitch é revestido em veludo verde, criando uma textura que remete à sensação de caminhar sobre a grama.

Já a P. Andrade nasceu em 2021, fundada por Pedro Andrade e Paula Kim como um “laboratório” de inovação. Os pilares da grife são alfaiataria técnica, sustentabilidade, economia circular e materiais regenerativos. Pedro também comanda a Piet, label de streetwear que se consolidou no cenário da moda nacional.

Origem dos calçados Tabi
Antes de virar sapato, o Tabi era uma meia. A peça surgiu no Japão antes do século 15, usada junto a sandálias tradicionais como o zori e o geta – calçado de madeira com base elevada preso ao pé por tiras de tecido. A separação entre o dedão e os demais dedos não era estética: servia para permitir o uso dessas sandálias com a meia calçada.

Foi só em 1988 que o formato chegou às passarelas ocidentais, quando o estilista belga Martin Margiela apresentou seu primeiro desfile em Paris com uma bota inspirada na peça japonesa. Ele conheceu o design em uma viagem ao Japão no início dos anos 1980, enquanto integrava o grupo de estilistas conhecido como Antwerp Six.

A intenção era criar a ilusão de um pé descalço apoiado sobre um salto, e o projeto era tão radical que, a princípio, nenhum sapateiro aceitou produzi-lo. A solução veio quando Margiela foi apresentado ao artesão italiano Zagato, responsável por transformar a ideia em realidade.
O calçado estreou no desfile primavera/verão 1989 da Maison Martin Margiela, com as modelos marcando a passarela branca com pegadas de tinta vermelha – recurso usado para garantir que o calçado não passasse despercebido.
Mesmo assim, o Tabi levou décadas para sair do círculo restrito de fãs da grife. A virada veio em 2023, quando uma série de vídeos nas redes sociais colocou a peça em evidência global, disparando as buscas pelo modelo e motivando reinterpretações por outras marcas.






















