Harry Styles faz da alfaiataria marca registrada em turnê
Na turnê Together, Together, Harry Styles troca paetês e chapéus de cowboy pela alfaiataria sofisticada assinada por Harry Lambert

Harry Styles tem feito sua turnê Together, Together, que dá seguimento ao álbum Kiss All the Time. Disco, Occasionally, em diversos países. Para além das músicas, danças e da grande produção, os figurinos são um dos principais pontos de destaque. Depois de anos associado aos paetês e aos chapéus de cowboy que marcaram a Love On Tour, o cantor migra para uma linguagem mais sofisticada, construída em torno de alfaiataria, referências à vida noturna europeia e uma pitada de nostalgia dos anos 1980. O responsável é o stylist Harry Lambert, que veste Harry Styles desde 2014, sempre com o desafio de fazer as roupas refletirem a era em que o cantor se encontra.
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O figurino da Together, Together
A adaptação de estética conforme a mudança de “era” não é uma linguagem nova para cantores. Muitos artistas usam essa estratégia para trazer novos ares e até mesmo experimentar novos estilos musicais, como tem feito Harry Styles, que inaugura uma fase mais disco e experimental. A mudança em relação à turnê anterior, dominada por boás de pena rosa e macacões inspirados em Elton John, é grande, mas o styling “corporate” com uma torção lúdica conversa diretamente com o tom do álbum Kiss All the Time. Disco, Occasionally. Ao fim de cada apresentação, porém, essa rigidez cede: ele tira o paletó, afrouxa a gravata e arregaça as mangas, como se a disco music fosse, aos poucos, libertando o figurino ao longo da noite.

Ao beber também da fonte de David Bowie, que, após viver uma era mais extravagante e cheia de brilhos passou para um estilo um mais minimalista, repleto de alfaiataria, Styles igualmente aposta agora em visuais que passam por blazers, shorts e calças de alfaiataria, camisas e, claro, gravatas.
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Aliás, se há uma peça que é considerada o ícone desta fase, essa peça é a gravata. Inclusive, o item tem sido reproduzido massivamente pelos fãs em suas produções para ir ao show.

Nos looks de palco, a alfaiataria aparece com uma leveza proposital: peças estruturadas como blazers amplos, calças retas e coletes se combinam a camisas de tecidos naturais e modelagens fluidas, resultando em produções elegantes mas sem rigidez. Cada produção passa por um processo cuidadoso antes de chegar ao palco: Lambert prova os looks sob medida em Freddie Hoffmann para testar sobreposições, styling e proporções.

Na abertura da turnê, em Amsterdã, Harry usou uma jaqueta bomber vermelha sob medida da Celine, combinada com uma camisa azul abotoada com colarinho branco e gravata de estampada em azul, laranja e marrom. Em outra noite na mesma cidade, trocou o tom lúdico por um terno da Valentino com três laços pretos, combinado a uma camisa vermelha e gravata preta e, dias depois, apostou em cores primárias com uma camisa vermelha, blazer amarelo-manteiga e calça plissada azul-bebê, em peça exclusiva da Calvin Klein. Em Wembley, a curadoria ficou ainda mais consistente e, mesmo durante o calor de Londres, Styles manteve uma espécie de dress code corporativo estilizado ao longo das 12 noites no estádio.

Ao mesmo tempo, persiste a influência boêmia que sempre acompanhou o artista, agora reinterpretada de forma mais madura e com alusões aos anos 1970 e 1980. O resultado é um Harry Styles que ainda dialoga com sua identidade sartorial mais reconhecível, mas trocou o excesso lúdico das turnês anteriores por uma sofisticação mais contida.
O stylist Harry Lambert
Antes de virar sinônimo do styling de Harry Styles, Harry Lambert construiu carreira pelo caminho editorial clássico da moda britânica. Criado em Norwich, no nordeste da Inglaterra, ele estudou fotografia antes de migrar para a moda e depois ingressou na British Vogue, onde foi assistente de um estilista de moda masculina.

Lambert começou a trabalhar com Styles em 2014 e, a partir de 2020, passou a vestir também Emma Corrin, de The Crown, seguida pelo colega de elenco Josh O’Connor no ano seguinte. Ele mantém um portfólio propositalmente enxuto, o que permite parcerias criativas mais próximas e menos voltadas ao volume. Esse histórico ajuda a explicar por que seu trabalho com Styles nunca foi apenas produção de palco, mas construção de identidade a longo prazo, um percurso que também o tornou um dos grandes vitrinistas de novos designers britânicos.

Ao longo da colaboração, Lambert construiu um vocabulário visual baseado em contraste, memória e reinvenção, explorando novos sentidos em peças que já carregam significado cultural — como fica claro na leitura que faz da alfaiataria clássica na turnê atual. Essa abordagem surge justamente no momento em que o styling de escritório entra no imaginário da moda, com o corpcore e a estética “office siren” transformando códigos profissionais familiares em objetos de fascínio: gravatas viram acessório e referências corporativas migram do ambiente de trabalho para a noite e o palco. É esse jogo entre formalidade e espetáculo que define, hoje, a assinatura de Lambert no repertório visual de Styles.





















