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Ilca Maria Estevão

Estudantes britânicas pedem fim do uso de uniforme escolar na pornografia

Quatro adolescentes de Oxfordshire pedem ao governo britânico que proíba o uso de uniformes escolares em conteúdos pornográficos

Grupo de estudantes apresentou petição ao primeiro-ministro do Reino Unido
Estudantes britânicas pedem fim do uso de uniforme escolar na pornografia

Quatro estudantes da Cooper School, em Bicester, no condado de Oxfordshire, na Inglaterra, criaram uma petição para proibir o uso de uniformes escolares em conteúdos pornográficos. Integrantes do clube de leitura Little Feminist Bookclub, elas direcionaram o documento ao primeiro-ministro britânico e afirmam que o uniforme é uma peça “projetada para fazer com que as estudantes se sintam seguras”. A petição já reúne mais de 8 mil assinaturas.

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Karen Kasmauski/Corbis via Getty Images
Estudantes caminhando nas ruas

A petição

O argumento central da iniciativa é que o uso de uniformes escolares em conteúdos pornográficos busca evocar a infância e a identidade de pessoas em idade escolar e, por isso, deve ser proibido. O documento foi lançado pelo Little Feminist Bookclub, clube de leitura da Cooper School, e assinado em nome do grupo. Quatro integrantes — Willow, Rose, Aylin e Mae, de 14 e 15 anos — deram rosto à campanha e concederam entrevistas à imprensa britânica.

Aura/Getty Images
Um grupo de garotas vestidas com uniformes escolares em 2003, no centro de Londres

As autoras da petição explicaram que o incômodo nasce da própria rotina: elas relatam não suportar usar o uniforme fora do ambiente escolar pela forma como a roupa pode ser percebida.

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Evening Standard/Hulton Archive/Getty Images
Alunas da Benenden School, um internato particular para meninas localizado em Hemsted Park, Kent, no Reino Unido, em 18 de julho de 1963

Os limites da legislação

Embora o Reino Unido já proíba, por meio do Crime and Policing Act, a posse e a publicação de pornografia que mostre atividade sexual envolvendo alguém que seja ou aparente ser menor de 16 anos, as estudantes afirmam que a legislação ainda não contempla especificamente o uso de uniformes escolares em conteúdos pornográficos. Para elas, esse tipo de representação deveria ser alvo de uma proibição específica.

May Lim/Getty Images
O pedido das quatro estudantes ainda depende de resposta do governo, e nem as defensoras da proibição acreditam que ela, sozinha, resolva o problema

O Crime and Policing Act foi criado com o objetivo de reduzir danos e combater formas de exploração associadas à pornografia. Segundo o Governo do Reino Unido, a preocupação é que determinados conteúdos possam influenciar comportamentos nas relações sexuais, como a prática de estrangulamento, ou estimular o interesse por condutas que seriam ilegais na vida real, como o abuso sexual infantil.

Marcus Brandt/picture alliance via Getty Images
Em 2026, o Reino Unido aprovou a Crime and Policing Act, que criminaliza a posse e a publicação de pornografia com atividade sexual em que ao menos uma pessoa é ou finge ser menor de 16 anos

Embora uma eventual proibição da representação de uniformes escolares não resolva o problema por completo, as estudantes defendem que a medida transmitiria uma mensagem importante. Para elas, manter esse tipo de conteúdo legal contribui para sua normalização e pode fazer com que representações inicialmente consideradas extremas se tornem mais comuns, abrindo espaço para a busca por conteúdos ainda mais extremos.

SEAN GLADWELL/Getty Images
A ministra responsável pelas vítimas, pelo combate à violência contra mulheres e meninas e pela justiça internacional, Alex Davies-Jones, elogiou as estudantes e a petição apresentada por elas

Números

Os números que sustentam a preocupação vêm de situações cotidianas da vida real. Uma pesquisa de 2018 da ONG Plan International, com mil meninas de 14 a 21 anos e citada pelo jornal The Times, apontou que 35% delas já receberam atenção sexual indesejada enquanto usavam uniforme. Entre as entrevistadas, 13% passaram por isso aos 12 anos ou menos, e 8% foram filmadas por um desconhecido sem consentimento.

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Klaus Vedfelt/Getty Images