
Ilca Maria EstevãoColunas

Entenda como a crise no Oriente Médio pode encarecer roupas no Brasil
Aumento no valor das peças deve ser percebido pelos consumidores a partir de julho de 2026
atualizado
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Não é difícil pegar uma peça de roupa e, ao olhar a etiqueta de composição, encontrar a palavra poliéster. A fibra, queridinha do fast fashion pela durabilidade e pelo preço, é derivada do petróleo e, com a escalada dos conflitos no Oriente Médio e o fechamento parcial de rotas marítimas estratégicas, deverá sofrer um aumento no preço. O petróleo Brent – que é, basicamente, o “preço padrão” do óleo no mundo – ultrapassou a barreira dos US$ 120, o que, para a indústria da moda, significa um “efeito dominó”.
Vem entender!

O caminho das fibras
O poliéster e o nylon correspondem a mais da metade da produção têxtil global, e o custo dessas matérias-primas subiu até 40% desde o início dos conflitos no Oriente Médio. Somado a isso, os navios que transportam tecidos da Ásia para o Brasil estão precisando fazer um desvio pela África para evitar zonas de guerra e canais fechados, o que pode adicionar até 20 dias de atraso nas entregas e encarecer drasticamente o frete e o seguro.

Mas, se o custo aumentou, por que as vitrines ainda parecem iguais? A resposta está no estoque: as coleções que atualmente estão nas lojas foram compradas e fabricadas há meses. Além disso, o dólar operando na casa dos R$ 4,90 tem servido como uma proteção para o importador brasileiro, o que suaviza o impacto da alta do petróleo.

Essa estabilidade, no entanto, é temporária. A estimativa é que o “choque do petróleo” apareça nas etiquetas brasileiras entre julho e setembro de 2026, o que deve afetar principalmente as coleções de primavera-verão.

O dilema das vitrines
A boa notícia para o consumidor é que as varejistas estão com medo de perder os clientes. Com o orçamento das famílias apertado, gigantes como Renner e Riachuelo têm evitado repasses integrais.
O mercado espera que, dos 15% de aumento na produção, apenas 3% a 6% devem chegar de fato ao preço final. O restante do prejuízo deve ser absorvido pelas próprias empresas, que preferem lucrar menos a ver as araras cheias e as lojas vazias.








