
Ilca Maria EstevãoColunas

Máquina de vendas com rostos humanos chama a atenção em Londres
A marca usou uma instalação inusitada para expor o que os algoritmos fazem com a percepção de beleza
atualizado
Compartilhar notícia

A Dove instalou uma máquina de venda automática na Estação Waterloo, em Londres. Mas o que estava dentro dela não era comida nem bebida, mas sim rostos idênticos, repetidos e enfileirados como produtos à venda. Batizada de The Beauty Machine, a instalação traduz de forma visual o que os algoritmos das redes sociais fazem todos os dias, oferecendo a ilusão de diversidade enquanto entregam sempre o mesmo padrão de beleza.
Vem saber mais!

A campanha foi motivada por um dado revelador. O Dove State of Beauty Report — uma pesquisa da própria marca — apontou que quase metade das mulheres e meninas do Reino Unido sente pressão para mudar a aparência, mesmo sabendo que as imagens que consomem são manipuladas.
Segundo a pesquisadora e apresentadora Aleks Krotoski, especialista no impacto da tecnologia na sociedade, os algoritmos recompensam o que gera mais engajamento. Com o tempo, a beleza passa a ter uma única cara.

Além da instalação, a marca foi às redes sociais convidando mulheres do mundo todo a compartilhar selfies celebrando sua beleza individual com a hashtag #DoveOpenCall.
A campanha, assinada pela Ogilvy, reforça o posicionamento histórico da Dove, que questiona os padrões impostos pela indústria.
A instalação
A escolha pela Estação Waterloo não foi por acaso. Um dos pontos mais movimentados de Londres, o espaço garantiu que a mensagem alcançasse um público amplo.
A Dove não é novata nesse debate. Iniciativas como o Real Beauty Pledge e o Self-Esteem Project, voltado à autoestima de jovens, já fazem parte da trajetória da marca. The Beauty Machine segue esse caminho, mas mira em um alvo mais recente: o papel dos algoritmos.

O momento
A ação surge em meio ao avanço das discussões sobre beleza e inteligência artificial. Filtros e ferramentas de edição impulsionadas por IA reforçam padrões cada vez mais homogêneos.
Não é de hoje que a marca se posiciona contra esse caminho: o uso de inteligência artificial em suas campanhas já foi publicamente descartado, como parte de um trabalho de autoestima construído ao longo de anos.










