Donatella Versace retorna à indústria da moda com etiqueta própria
Com a experiência trazida por seu trabalho na Versace por quase três décadas, Donatella lança, pela primeira vez, sua própria grife

Quase três décadas depois de assumir o comando criativo da Versace, e cerca de um ano e meio após deixar esse posto, Donatella Versace abre um capítulo inédito na carreira: aos 71 anos, lança uma marca independente de moda e beleza em parceria com o grupo americano Revolve. O nome da etiqueta ainda não foi revelado, mas já se sabe que a estreia será pela linha de beleza, com primeiros produtos previstos para 2027.
Vem comigo saber mais!

Donatella anuncia o lançamento de sua marca própria
Pela primeira vez, Donatella Versace decide construir algo inteiramente próprio. Integrante da família e do negócio Versace por décadas, ela anunciou a nova marca nesta segunda-feira (21/9) em seu Instagram. A associação ao projeto é um desejo de se aproximar das novas gerações por um caminho mais pessoal: “Acredito que a criatividade deve ser destemida, inclusiva e estar viva no mundo. Sempre fui inspirada pela próxima geração, pela música, pelo cinema, pela arte e, claro, pela moda. Essa parceria me dá a liberdade de falar com essa geração de uma maneira completamente nova e pessoal, por meio da beleza e da moda”, afirmou.

A escolha da Revolve como parceira também diz muito sobre a estratégia empresarial. Fundado em 2003, o grupo reúne hoje mais de 1.600 marcas e vem investindo pesado em nomes de forte apelo cultural — fechou recentemente uma joint venture de beleza com Cardi B, marcando a entrada da cantora nesse segmento, além de uma parceria com a influenciadora Sofia Richie Grainge. Para o cofundador da Revolve, Donatella é “uma das vozes criativas que definem o nosso tempo” — fala que resume bem a aposta do grupo em unir sua estrutura digital e comercial ao capital simbólico da estilista.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
Força de Donatella se consolidou na Versace
Em 1978, em Milão, nascia a Versace, fundada por Gianni Versace, que já havia trabalhado em etiquetas como Genny, Callaghan e Complice. Ele iniciou o negócio ao lado do irmão Santo, responsável pela gestão, e da caçula Donatella, encarregada desde o início das campanhas publicitárias — e, anos depois, também da linha de difusão Versus.

O símbolo mais reconhecível da grife, a cabeça de medusa, veio de uma lembrança de infância de Gianni: um mosaico com a figura da mitológica Górgona, encontrado no piso de ruínas gregas na região de Reggio Calábria, onde ele brincava com os irmãos Santo e Donatella. Ele adotou a imagem como símbolo da marca em referência a um mito específico — o de que quem se apaixona por Medusa não tem mais volta —, na expectativa de que sua moda causasse o mesmo efeito irresistível em quem a usasse.

Gianni construiu a Versace como contraponto ao luxo mais discreto da moda italiana da época, injetando teatralidade e erotismo numa estética que redefiniu o ‘Made in Italy’ — e foi assassinado a tiros em Miami, em julho de 1997, aos 50 anos.

Donatella assume e reinventa a casa
Com a morte do irmão, Santo tornou-se CEO e Donatella, até então à frente da Versus desde 1989, assumiu a direção de criação. Um dos momentos mais decisivos de sua gestão veio em 2000, com o Jungle Dress: o vestido verde de decote profundo criado por ela para Jennifer Lopez usar no Grammy daquele ano. A repercussão foi tamanha que a corrida por fotos da peça é até hoje citada como um dos fatores que impulsionaram a criação do Google Imagens.
Apostando em celebridades e no espetáculo das passarelas, Donatella transformou a Versace em sinônimo de moda como cultura pop, dando sequência ao legado do irmão.

A saída de Donatella da Versace
Enquanto a imagem da marca crescia, seu controle acionário mudou de mãos mais de uma vez. Em 2014, o fundo americano Blackstone pagou 210 milhões de euros por 20% do capital da Versace. Quatro anos depois, em 2018, a então Michael Kors — hoje Capri Holdings — comprou a grife da família Versace e da própria Blackstone por cerca de 2,1 bilhões de dólares, reunindo Versace, Michael Kors e Jimmy Choo sob o mesmo grupo e mantendo Donatella na direção criativa.

Em março de 2025, Donatella anunciou a saída do posto que ocupava havia quase 28 anos, passando o comando criativo a Dario Vitale, então diretor de design e imagem da Miu Miu. Meses depois, em abril de 2025, a Capri anunciou a venda da Versace ao Grupo Prada por 1,375 bilhão de dólares — negócio concluído em dezembro daquele ano e bem abaixo dos 2,1 bilhões pagos em 2018, já que a grife vinha operando no prejuízo. Agora, Donatella retorna ao mercado, trazendo toda sua bagagem e expertise.




















