
Ilca Maria EstevãoColunas

Dia do Cabelo Maluco revela problemáticas de maus-tratos e elitismo
A brincadeira do Dia do Cabelo Maluco expõe desigualdades sociais entre as famílias
atualizado
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O Dia do Cabelo Maluco, cada vez mais popular nas escolas brasileiras, está na boca do povo pela diversão e risadas garantidas pela criatividade dos pais e alunos. Contudo, em meio à brincadeira, a web também aponta problemáticas que envolvem riscos ao bem-estar animal e a exclusão social que é revelada pela atividade.
Vem entender!

Brincadeira que envolve professores, pais e alunos, o Dia do Cabelo Maluco é adotado nas escolas especialmente no mês de outubro, quando é comemorado o Dia das Crianças. Na internet, os penteados chamativos fazem sucesso, graças ao uso de tintas, acessórios inusitados, balões, e objetos que não seriam vistos na cabeça em outra ocasião.

Alguns cabelos malucos, porém, são alvo de críticas, como aqueles que prendem pintinhos ou pássaros em estruturas que remetem a gaiolas ou galinheiros sobre a cabeça das crianças. Especialistas alertam que o uso de animais em situações assim pode configurar maus-tratos, além de representar risco à saúde.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba emitiu um comunicado destacando que colocar bichos vivos em penteados criativos expõe os animais a estresse, possíveis machucados, exposição a temperatura inadequada ou manuseio impróprio. Além disso, há riscos de transmissão de doenças das aves à criança.

Diferenças sociais no Dia do Cabelo Maluco
Além do debate ético, também estão sendo feitas críticas que acusam a brincadeira de elitismo. Isso porque, para muitas famílias, produzir um cabelo maluco com adereços elaborados, materiais decorativos, tintas ou complementos diferenciados pode significar um custo adicional que nem sempre está previsto ou que pesa no orçamento.
Além disso, pais e mães que trabalham em múltiplos turnos ou que precisam se deslocar por longas distâncias relataram que não têm tempo para confeccionar penteados elaborados, aumentando ainda mais o distanciamento entre pais, filhos e escola.

Nessas situações, alunos cujas famílias têm mais recursos e tempo tendem a se destacar na brincadeira do cabelo maluco, enquanto os demais podem se sentir deixados de fora ou em desvantagem, mesmo que a intenção da escola seja de inclusão.
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