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Ilca Maria Estevão

Desfile é realizado em lixão de roupas que pode ser visto do espaço

ONG levou modelos ao Deserto do Atacama, onde pilhas de peças descartadas formam mais de 60 mil toneladas

Maurício Nahas/Desierto Vestido/Divulgação
lixão roupas deserto desfile atacama fashion week - metrópoles

Estima-se que 39 mil toneladas de roupa sejam despejadas no deserto do Atacama, no Chile, pela indústria da moda todo ano, ilegalmente. Esse comportamento desenfreado chegou a um ponto em que, do espaço sideral, é possível ver a pilha de lixo têxtil acumulado. Como forma de conscientização, a ONG dedicada à reciclagem de têxteis Desierto Vestido realizou no local um desfile, no qual a passarela foi o próprio acúmulo de tecidos e produtos.

Antonio Cossio/picture alliance via Getty Imageslixão roupas deserto desfile atacama fashion week - metrópoles
Área do deserto acumula mais de 60 mil toneladas de roupas

O “desfile”

Chamada, em tom irônico, de Atacama Fashion Week, a ação apresentou peças com cores terrosas, para representar a poluição do solo; camadas de roupas desconstruídas, em alusão à estratificação da atmosfera; além de representações das geleiras em derretimento, incêndios florestais e a degradação da natureza, entre outras problemáticas.

“O verdadeiro custo de uma roupa vai muito além do preço. A maior parte das roupas descartadas no Deserto do Atacama é feita de poliéster, um tecido à base de plástico que leva até 200 anos para se decompor”, relatou a organização, no site dedicado à ação.
Maurício Nahas/Desierto Vestido/Divulgaçãolixão roupas deserto desfile atacama fashion week - metrópoles
“Tons terrosos representam a poluição de nosso solo. Os nós nas pernas evocam raízes, enquanto os do topo simbolizam o sufocante impacto dos poluentes industriais”, explicou a ONG Desierto Vestido
Maurício Nahas/Desierto Vestido/Divulgaçãolixão roupas deserto desfile atacama fashion week - metrópoles
Look que representa o poder destrutivo do fogo
Maurício Nahas/Desierto Vestido/Divulgaçãolixão roupas deserto desfile atacama fashion week - metrópoles
Representação da lenta decomposição dos materiais descartados na natureza
Maurício Nahas/Desierto Vestido/Divulgaçãolixão roupas deserto desfile atacama fashion week - metrópoles
Peças simbolizando o plástico no oceano
Maurício Nahas/Desierto Vestido/Divulgaçãolixão roupas deserto desfile atacama fashion week - metrópoles
Derretimento das geleiras
Maurício Nahas/Desierto Vestido/Divulgaçãolixão roupas deserto desfile atacama fashion week - metrópoles
Representação da poluição causada pela indústria da moda
Maurício Nahas/Desierto Vestido/Divulgaçãolixão roupas deserto desfile atacama fashion week - metrópoles
O vestido verde-musgo evoca os estágios finais de um curso de água secando

Lixão de roupas no deserto

Em 2023, a empresa de satélites SkyFi divulgou imagens e provou que o “lixão” de roupas pode ser visto para além da Terra, sendo comparável à extensão da cidade chilena ao lado. “O tamanho da pilha e a poluição que ela está causando ao meio ambiente já são visíveis do espaço, deixando claro que há uma necessidade de mudança na indústria da moda”, alertou a empresa.

SkyFi/Reproduçãolixão roupas deserto desfile atacama fashion week - metrópoles
Monte de roupas no Deserto do Atacama, capturado por satélite
Antonio Cossio/picture alliance via Getty Imageslixão roupas deserto desfile atacama fashion week - metrópoles
A ONG Desierto Vestido luta contra o despejo ilegal de roupas no deserto chileno

Uma aparente solução seria a queima das roupas acumuladas, ação também contestada pela ONG: “Quando essas vestimentas são incineradas no deserto, elas liberam fumaças tóxicas, causando danos ao solo, à camada de ozônio e à saúde da população local”, explicou, em comunicado.

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